Engenheiros revelam como melhorar a eficiência do ar‑condicionado acima de 35°C durante ondas de calor
Quando a temperatura externa ultrapassa 35 °C, o ar‑condicionado entra em um regime de maior esforço: o compressor aquece, o ciclo de refrigeração enfraquece e o consumo de energia sobe sem que o ambiente fique proporcionalmente mais frio. Engenheiros de climatização apontam que pequenos ajustes técnicos podem recuperar boa parte da performance, dispensando a troca imediata do equipamento, sobretudo em períodos de ondas de calor cada vez mais frequentes no Brasil.
O motivo da perda de eficiência está no princípio de funcionamento do aparelho, que retira calor interno e o rejeita para o exterior. Quanto maior a temperatura externa, maior a diferença térmica que o sistema precisa superar, obrigando o compressor a operar em ciclos mais longos e a consumir mais energia para manter o mesmo nível de resfriamento. Modelos mais antigos apresentam queda ainda maior de capacidade de troca térmica ao longo dos anos, e o esforço adicional acelera o desgaste de componentes internos. Sinais típicos de sobrecarga incluem ruído mais alto e resfriamento mais lento.
De acordo com os especialistas, a faixa de temperatura mais econômica para o climatizador situa‑se entre 23 °C e 26 °C. Configurações inferiores a esse intervalo forçam o equipamento a funcionar continuamente, elevando o consumo sem proporcionar ganho real de conforto. Manter a diferença mínima entre a temperatura desejada e a externa reduz o trabalho do compressor, diminui o número de partidas e paradas e prolonga a vida útil do aparelho.
Algumas práticas simples já impactam a conta de luz: manter o termostato entre 23 °C e 26 °C; programar o desligamento automático quando o ambiente estiver vazio; combinar o modo ventilador com o ar‑condicionado para acelerar a distribuição do ar frio; evitar abrir portas e janelas com o aparelho em funcionamento.
Engenheiros de climatização recomendam ainda três frentes para “blindar” o equipamento em condições de calor extremo, baseadas em diretrizes do programa ENERGY STAR, do governo dos Estados Unidos. Entre elas estão a proteção das janelas expostas ao sol, a redução do uso de fornos ou fogões durante os picos de temperatura e a adoção de medidas que limitam a entrada de calor no ambiente.
Os ajustes técnicos de baixo custo são válidos tanto para unidades novas quanto para as mais antigas. Cobrir as janelas que recebem luz direta, evitar o uso de equipamentos que geram calor durante o horário de pico e manter o ambiente interno mais isolado são ações que não exigem ferramentas caras nem conhecimento avançado.
Para sentir a diferença nos próximos dias quentes, os engenheiros sugerem a seguinte ordem de procedimentos: limpar ou trocar o filtro de ar a cada mês durante o período mais quente; verificar se a unidade externa está em local bem ventilado e livre de obstruções; fechar portas e janelas do cômodo refrigerado sempre que possível; agendar manutenção preventiva anual com um técnico especializado.
Manter a manutenção em dia evita gastos extras de energia. Segundo o ENERGY STAR, quase metade da energia consumida em uma residência destina‑se à climatização. Selar e isolar os dutos pode melhorar o desempenho em até 20 %, enquanto um filtro sujo reduz o fluxo de ar e obriga o compressor a trabalhar mais intensamente. Esses indicadores demonstram que cuidados básicos influenciam diretamente o resultado final, mais do que a potência nominal do aparelho.
Revisar o ar‑condicionado antes do próximo pico de calor é, portanto, recomendável para prevenir despesas desnecessárias e prolongar a vida útil do equipamento. Ajustes simples, como regular o termostato e limpar o filtro, já proporcionam diferença perceptível no consumo e no conforto.
Com informacoes de Olhar Digital.

