Elenco da Ponte Preta paralisa atividades por salários atrasados e acusa abandono da diretoria
O elenco profissional da AA Ponte Preta comunicou nesta quarta-feira a paralisação de todas as atividades esportivas, incluindo treinos e partidas, em razão de salários não pagos.
A medida foi formalizada por meio de notificação entregue ao executivo João Brigatti e enviada por e‑mail à presidência e ao departamento jurídico do clube, classificando a situação como abandono e estabelecendo que a suspensão permanecerá até a regularização das pendências.
A próxima partida da Ponte na Série B, prevista para domingo contra o América‑MG em Belo Horizonte, poderá ser disputada com a utilização das categorias de base, a fim de evitar um W.O.
Sem vitória em 18 rodadas, a equipe ocupa a última posição do campeonato, somando apenas 10 pontos em 24 jogos, cenário que indica um provável rebaixamento.
Na semana anterior, os jogadores divulgaram que alguns atletas estão sem receber salários há cerca de seis meses e estabeleceram o prazo de 25 de agosto (terça‑feira) para que as dívidas fossem quitadas, sob pena de interromper as atividades.
Não havendo pagamento dentro do prazo, os atletas buscaram apoio jurídico dos advogados Filipe e Thiago Rino, retornaram ao Centro de Treinamento Jardim Eulina e deixaram o local sem treinar por volta das 8h50. Quando o vice‑presidente Marco Antonio Eberlin chegou, muitos já haviam ido embora; ele determinou que os restantes permanecessem para uma conversa e, em seguida, fechou o portão.
Em comunicado assinado pelos jogadores, foram feitas críticas ao comando do clube, atualmente presidido por Luiz Torrano, com Marco Antonio Eberlin como vice‑presidente e diretor de futebol, acusando abandono e falta de garantias. O texto citou o §5º do artigo 90 da Lei Geral do Esporte, que autoriza o atleta a recusar‑se a competir quando os salários estiverem atrasados por dois meses ou mais.
A declaração menciona a data de início da paralisação, 26/08/206, e reforça que as atividades permanecerão suspensas até a regularização dos pagamentos, ressaltando o respeito à torcida e à instituição.
A data do ultimato coincidiu com a Assembleia Geral Extraordinária realizada na segunda‑feira anterior, que deveria deliberar sobre a mudança para Sociedade Anônima do Futebol (SAF), mas foi suspensa em meio a tumultos entre membros da diretoria executiva e a oposição, deixando a proposta financeira indefinida.
A proposta de SAF prevê um aporte de R$ 1 bilhão de um consórcio interessado, distribuído em R$ 300 milhões para quitação de dívidas, R$ 300 milhões de investimento no futebol ao longo de dez anos e R$ 400 milhões para modernização do Estádio Moisés Lucarelli e melhorias no centro de treinamento.
O clube esperava um aporte inicial vinculado à conversão em SAF; caso a operação fosse aprovada, o recurso seria considerado adiantamento, e, se não avançasse, seria tratado como empréstimo a ser pago pela Ponte Preta.
Com informacoes de GE.

