Efeito China: preços dos 25 carros usados mais buscados no Brasil caem até 15% em 2026
Um levantamento exclusivo da Auto Avaliar, realizado para o portal fantom.news, indica que os preços praticados nas transações de seminovos dos 25 modelos mais buscados no Brasil recuaram em média 10,2% nos últimos 12 meses, enquanto a tabela Fipe registra apenas 4% de desvalorização.
A Auto Avaliar reúne mais de 27 mil lojistas que compram e vendem veículos, além de mais de 6 mil concessionárias cadastradas, representando 85% do segmento de automóveis usados. O estudo abrange sete anos‑modelo, de 2019 a 2025, e analisou 30 mil combinações de modelo, versão, ano e estado apenas para os 25 carros em foco.
A distribuição das idades dos veículos avaliados mostrou que 26% têm de 0 a 2 anos, 29% de 3 a 4 anos e 45% de 5 a 7 anos.
O fenômeno, denominado “Efeito China”, evidencia um atraso entre o que o mercado efetivamente paga e o que a tabela Fipe divulga, já que a Fipe compila dados de anúncios com defasagem temporal. Segundo J.R. Caporal, presidente da Auto Avaliar, “nosso banco de dados captura o preço pago pelo lojista e o valor final da venda, permitindo observar a real reação do mercado”.
José Éverton Fernandes, presidente da Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), reforça que a Fipe utiliza informações de quatro semanas atrás, o que cria a impressão de preços fora da realidade. Ele destaca que, anteriormente, a demanda superava a oferta, mas agora há um reequilíbrio entre a quantidade de veículos disponíveis e a capacidade de compra dos consumidores.
Um outro ponto revelado pelos dados é a redução drástica do ágio – diferença entre o preço anunciado e o valor efetivamente pago acima da Fipe. Em agosto de 2025, um em cada três seminovos “queridinhos” era vendido acima da tabela (33,3%). Em agosto de 2026, esse percentual caiu para apenas 0,8%.
Para os seminovos com menos de 2 anos, a situação era ainda mais marcada: mais de 67% dos veículos eram negociados com ágio em agosto de 2025, enquanto em 2026 esse número recuou para 2%.
O estudo também aponta que os 25 modelos analisados permanecem menos tempo em estoque do que a média do mercado, que é de 18 dias. Todos os veículos estudados estão abaixo desse patamar, indicando alta rotatividade e forte demanda.
Caporal observa que os carros que permaneceram mais tempo em estoque foram adquiridos quando os preços ainda eram elevados, forçando os lojistas a reduzir margens para girar o inventário. Ele recomenda que os revendedores aceitem vender com margens menores, recomprar estoque a preços ajustados e, assim, restaurar a rentabilidade.
A queda de preços tem origem na entrada massiva de marcas chinesas, nas promoções agressivas das montadoras tradicionais e no crédito mais restrito, que tem dificultado as negociações.
Com informacoes de G1.

