Economia climática pode criar as próximas gigantes globais
No fim da década de 1970, investir em softwares para computadores pessoais poderia parecer uma aposta excessivamente arriscada. As máquinas ainda não faziam parte do cotidiano, o mercado era incipiente e poucas pessoas conseguiam imaginar a dimensão que a Revolução Digital alcançaria. Décadas depois, algumas das empresas surgidas naquele período estão entre as mais valiosas do planeta.
Para especialistas em inovação climática, o mesmo tipo de transformação começa a ocorrer agora. Mas boa parte dos investidores brasileiros ainda não percebeu. As declarações foram feitas no programa O Clima na Faria Lima, apresentado por Marina Cançado, durante entrevista com Júlia Marisa Sekula, cofundadora e CFO da Terradot, e Zé Gustavo, diretor-executivo do Fórum Brasileiro das Climatechs.
"As empresas que vão liderar os mercados daqui 40 anos, quando essas transformações do clima acontecerem, estão nascendo agora. Em que momento você vai entrar? Em que momento você vai entender sobre isso?", questiona Zé Gustavo.
Ao aplicar a lente do clima, empresas começam a identificar novos problemas e oportunidades: materiais com menor pegada de carbono, sistemas de monitoramento, soluções para agricultura mais resiliente, formas de armazenamento de energia, captura de carbono e tecnologias para o tratamento de água e resíduos.
Isso significa que os futuros líderes da economia climática poderão nascer em diversas indústrias, e não apenas entre companhias tradicionalmente associadas ao meio ambiente. O investidor ainda enxerga custo antes da oportunidade. Apesar do potencial, Zé Gustavo avalia que muitos investidores ainda analisam a transformação principalmente pelo risco e pelo custo.
"O investidor às vezes olha e não consegue enxergar do ponto de vista da oportunidade. Sempre olha do ponto de vista do risco, do custo". Esse comportamento pode fazer com que o capital chegue apenas quando os mercados estiverem mais maduros e as empresas mais valorizadas.
Na Revolução Digital, investidores que esperaram a tecnologia se tornar dominante perderam a oportunidade de participar das fases iniciais de crescimento de algumas das companhias mais relevantes do mundo. Na economia climática, o risco de chegar tarde pode ser semelhante.
Regulação transforma problemas em mercados. Empresas que hoje contratam tecnologias climáticas não estão necessariamente agindo apenas para melhorar a reputação. Muitas já se preparam para regras que poderão impor custos diretos às emissões de carbono.
Startups têm velocidade; grandes empresas, escala. A transformação deverá envolver tanto companhias estabelecidas quanto novos negócios. Grandes empresas possuem capital, infraestrutura e acesso ao mercado, mas tendem a se movimentar mais lentamente. Startups, por outro lado, conseguem testar tecnologias e modelos de negócios com maior velocidade.
A tendência é que parte das startups seja adquirida ou incorporada por empresas tradicionais. Outras poderão crescer até desafiar diretamente os atuais líderes de seus setores. Para os entrevistados, a transição climática não é uma possibilidade distante. Os investimentos já realizados, o desenvolvimento de tecnologias e o avanço da regulação mostram que novos mercados estão sendo construídos.
Com informacoes de InfoMoney.

