Disputa entre operadoras de telefonia sobre bloqueio de ligações indesejadas
A Vivo está sendo questionada por outras empresas devido ao seu serviço 'Anti-spam', que promete bloquear ligações fraudulentas. Empresas afirmam à Anatel que o sistema barra chamadas legítimas e dificulta a prestação de serviços para clientes. Uma delas afirmou que o bloqueio afetou ligações de mais de 800 números de telefone de uma prefeitura.
Os casos estão sob análise da Anatel, que disse buscar o equilíbrio no setor de telefonia e o bem-estar do consumidor. O serviço 'Vivo Anti-spam' é ativado automaticamente em novas linhas de celulares administradas pela operadora. Segundo a empresa, o serviço 'identifica e bloqueia chamadas massivas e fraudulentas' antes de elas chegarem aos clientes.
Mas operadoras como a TIM dizem que o serviço impede ligações legítimas. Ao menos sete empresas questionaram o bloqueio de milhares de chamadas, incluindo de serviços de saúde para pacientes. Elas abriram reclamações formais na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que disse analisar os casos e buscar 'o equilíbrio setorial e, acima de tudo, o bem-estar do consumidor'.
A principal questão na disputa entre as empresas é o critério usado para bloquear as ligações, explicou Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. 'O anti-spam do telefone funciona como o do e-mail: de vez em quando, caem coisas que não deveriam ter caído. Não existe um anti-spam perfeito que vai bloquear só o que deve', afirmou.
A empresa de telefonia Adyl Telecom afirmou que, desde o início de junho, mais de 16 mil ligações foram interrompidas por conta do anti-spam. A empresa alegou à Anatel que hospitais e órgãos públicos foram afetados. O sistema da Vivo também foi acusado de bloquear ligações de mais de 800 números da prefeitura de Araçatuba.
A reclamação foi feita pela 3corp Technology, que presta serviços de telefonia para a cidade. Em sua representação, a 3corp afirmou que as ligações servem para prestar serviços públicos em áreas como saúde, segurança e educação, mas foram 'sistematicamente bloqueadas ou interrompidas' pelo anti-spam.
A Net2Phone Brasil, outra empresa a questionar o anti-spam da Vivo, disse que espera uma reunião de conciliação mediada pela Anatel. A Agera Telecomunicações afirmou que, desde o início de junho, recebe reclamações de clientes sobre bloqueios em chamadas para números da Vivo e classificou o anti-spam como uma ferramenta de 'degradação artificial de tráfego'.
A Anatel informou que abriu espaço para a defesa da Vivo e que, desde então, tem se aprofundado nos materiais apresentados pelas empresas. 'O objetivo é oferecer uma visão coerente e replicável aos diferentes casos', disse a agência.
Com informacoes de G1.

