Diretor da CIA realiza voo secreto a Moscou em avião C‑17 para negociações não anunciadas
Dados de rastreamento confirmam que uma grande aeronave militar americana, identificada como um transporte C‑17, partiu de Riga, na Letônia, às 2h50 (horário de Brasília) e aterrissou no Aeroporto Internacional de Vnukovo, em Moscou, aproximadamente às 4h04, retornando à capital letã pouco antes das 14h.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o C‑17 aproximando‑se do aeroporto e, em paralelo, supostas fotos de uma comitiva diplomática percorrendo as ruas de Moscou.
Segundo informações, esta seria a primeira visita de William Ratcliffe à Rússia desde que assumiu a chefia da CIA em janeiro do ano passado, embora ele tenha mantido contato com seus homólogos da inteligência russa.
John Foreman, que atuou como representante militar do Reino Unido em Moscou entre 2019 e 2022, sugeriu que a viagem poderia estar ligada a esforços para evitar uma escalada de tensões, especialmente após especulações sobre uma possível conexão da Rússia com recentes atividades de drones na Alemanha.
Foreman declarou ao programa PM da Radio 4 que "os americanos normalmente não enviam um funcionário de tão alto escalão a Moscou, sem aviso e em curto prazo, a menos que algo esteja acontecendo".
O contexto inclui a descoberta de um terceiro drone e de um possível explosivo militar nas proximidades de um aeroporto alemão, alimentando as suspeitas sobre envolvimento russo.
Outra hipótese levantada é que a missão esteja relacionada à libertação de cidadãos americanos detidos na Rússia. Ratcliffe participou das negociações que resultaram na libertação de Ksenia Karelina, cidadã russo‑americana presa por mais de um ano sob acusação de apoio à Ucrânia.
A CIA também esteve envolvida em uma troca de prisioneiros em 2024, que culminou na liberação do jornalista do Wall Street Journal Evan Gershkovich, do ex‑fuzileiro naval americano Paul Whelan e da jornalista russo‑americana Alsu Kurmasheva.
As relações entre Estados Unidos e Rússia permanecem tensas desde a invasão em larga escala da Ucrânia em 2022, período em que Moscou enfrentou isolamento internacional e sanções econômicas.
Nas últimas semanas, surgiram especulações sobre possíveis viagens à Rússia dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, embora nenhuma data tenha sido confirmada.
Ao ser questionado sobre a visita, o porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou não dispor da informação e ressaltou que não havia reunião prevista no Kremlin com representantes do governo dos Estados Unidos nesta semana.
Se confirmada, a viagem de Ratcliffe representaria uma das mais altas visitas de um funcionário americano à Rússia desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, que se encontrou com Vladimir Putin em cúpula no Alasca no ano passado, encontro que não gerou avanços significativos.
Desde então, as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, lideradas pelos Estados Unidos, parecem ter perdido força.
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Com informacoes de O GLOBO.

