Descoberta do Manto Lunar Escondido

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 09/07/2026 07:44
Descoberta do Manto Lunar Escondido

Foto: try/efe

Usando a gravidade medida pela missão GRAIL, pesquisadores mapearam pela primeira vez onde o manto lunar lançado pelo maior impacto da Lua está enterrado a poucos quilômetros da superfície — bem sob os futuros sítios de pouso do programa Artemis.

Há cerca de 4,25 bilhões de anos, quando a Lua ainda era um mundo jovem e parcialmente derretido, um corpo com dezenas de quilômetros de diâmetro atingiu seu hemisfério sul em um golpe oblíquo e devastador. A energia liberada perfurou a crosta inteira, alcançou o manto e arrancou material das entranhas lunares, lançando-o por milhares de quilômetros ao redor do ponto de impacto.

Nascia ali a maior e mais antiga estrutura de impacto reconhecida em toda a Lua: a bacia Polo Sul-Aitken, um anfiteatro elíptico de 2.400 por 2.050 quilômetros que se estende do polo sul lunar até quase o equador do lado oculto.

Um grupo de pesquisadores liderado por Gabriel Gowman, do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, acaba de mudar esse quadro. Em estudo publicado no periódico Journal of Geophysical Research: Planets, a equipe usou um instrumento que não depende de olhos nem de câmeras para encontrar o manto escondido: a própria gravidade da Lua.

A motivação por trás do trabalho transcende a curiosidade acadêmica. Um dos objetivos centrais do programa Artemis, da NASA, que pretende levar seres humanos de volta à superfície lunar nos próximos anos, é coletar amostras dos materiais lançados pela formação da bacia Polo Sul-Aitken, incluindo rochas oriundas tanto do manto lunar quanto do oceano de magma que cobriu a Lua em sua infância.

A equipe partiu do campo gravitacional lunar medido pela missão GRAIL, sigla em inglês para Laboratório de Recuperação Gravitacional e Interior, composta por duas naves gêmeas que orbitaram a Lua em 2012 medindo com extrema precisão as variações na distância entre si, provocadas pelas irregularidades do campo gravitacional sob elas.

Em seguida, aplicaram um filtro que eliminou as ondulações de grande comprimento, associadas principalmente às variações na espessura da crosta, preservando apenas a variabilidade de pequena escala que interessava ao estudo.

O resultado dessa depuração revelou um padrão que ninguém havia descrito antes com tamanha clareza. Ao redor da bacia surge uma faixa de 400 a 500 quilômetros de largura, repleta de anomalias gravitacionais intensas e de pequena escala, com dimensão típica em torno de trinta quilômetros cada, distribuídas de forma aparentemente aleatória.

A magnitude dessas anomalias na região da borda é cerca de duas vezes maior do que a observada mais longe da bacia, o que reforça a interpretação de que ali existe algo geologicamente distinto do entorno.

A observação de que as anomalias avançam mais para longe exatamente onde a crosta é mais delgada oferece um argumento forte de que elas representam, de fato, manto escavado, e não alguma curiosidade superficial sem relação com as profundezas.

Com informacoes de Space Today.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.