Desalavancagem é o novo mantra da Minerva (BEEF3) segundo BTG: análise de compra ou venda

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 01/09/2026 14:54
Desalavancagem é o novo mantra da Minerva (BEEF3) segundo BTG: análise de compra ou venda

Foto: via Money Times

A desalavancagem tornou‑se o "novo mantra" da Minerva Foods (BEEF3), conforme apontado pelos analistas do BTG Pactual. Apesar de reconhecer avanços esperados no balanço e calcular um potencial de valorização de 76,3% para as ações em relação à última cotação, o banco prefere observar a tese de fora, mantendo recomendação neutra e preço‑alvo de R$ 7 para os próximos 12 meses.

A avaliação foi divulgada após o encontro anual da companhia em Barretos (SP), cidade natal da Minerva. Os analistas destacaram o otimismo da administração com a consolidação e captura de sinergias, reforçando que a empresa já figura entre as maiores plataformas de carne bovina do mundo. Contudo, o encontro também enfatizou a necessidade de enfrentar a elevada alavancagem para que os acionistas capturem o valor que o crescimento deveria gerar.

Um dos principais sinais apresentados foi a decisão de não acelerar o pagamento de dividendos enquanto o índice de cobertura da dívida não alcançar 35% do EBITDA. Segundo o diretor financeiro da Minerva, esse patamar será atingido quando a alavancagem recuar para 1,7 vezes o EBITDA, contra aproximadamente 3 vezes ao final do segundo trimestre de 2026.

Na prática, o BTG estima que a companhia precisará reduzir a dívida líquida quase pela metade antes de considerar dividendos extraordinários. No atual cenário de juros, as despesas financeiras consomem parcela significativa do fluxo de caixa operacional, tornando a distribuição de dividendos uma das destinações de capital menos recomendáveis.

Quanto ao capital de giro, a Minerva espera um segundo semestre mais favorável. Assim como no ano passado, a empresa carregou estoques de carne bovina acima do nível considerado normal em alguns mercados, especialmente nos Estados Unidos. O BTG calcula que os estoques atingiram o equivalente a 37 dias do custo dos produtos vendidos no segundo trimestre, acima da média de 30 dias dos últimos cinco anos, mas abaixo dos 46 dias registrados no mesmo período do ano anterior. Com a normalização desses estoques, projeta‑se a liberação de R$ 1,3 bilhão em capital de giro durante o segundo semestre.

Mesmo com a liberação de capital, a alavancagem líquida deve encerrar 2026 em 2,8 vezes o EBITDA, praticamente no mesmo nível observado no fim de 2025.

O BTG reconhece que a plataforma da Minerva está bem posicionada para capturar oportunidades no mercado mundial de carne bovina. Em duas décadas, a companhia realizou 20 aquisições, ampliando sua escala de aproximadamente 1 milhão de cabeças processadas por ano para quase 6 milhões nos últimos 12 meses, mantendo foco em carne bovina e na América do Sul, região com custos competitivos e oferta de animais ainda mais favorável que em outros mercados.

A recente cota adicional de 300 mil toneladas para importações de carne bovina com isenção tarifária anunciada pelos Estados Unidos ilustra esse posicionamento, beneficiando Brasil e Paraguai. No caso brasileiro, a oportunidade nos EUA pode compensar parte das limitações impostas pela cota de importação adotada pela China neste ano. Contudo, o aumento da escassez mundial de carne eleva também o valor do gado, de modo que nem todo benefício dos preços mais altos da proteína chega às margens dos frigoríficos. "Mais do que assumir uma posição comprada em carne bovina, os investidores talvez devam considerar uma posição comprada em gado", sugerem os analistas.

A recomendação neutra do BTG reflete um equilíbrio entre risco e retorno, apesar do potencial de alta de 76%. O banco acredita que a Minerva conseguirá reduzir sua alavancagem, porém margens menores e a redução da disponibilidade de gado no Brasil podem tornar esse processo mais lento nos próximos 12 meses. O BTG projeta fluxo de caixa livre para o acionista de R$ 269 milhões em 2026 e R$ 409 milhões em 2027, equivalentes a yields de apenas 7% e 10%, respectivamente. Assim, o preço‑alvo indica valorização relevante, mas o banco aguarda a efetiva desalavancagem refletida nos números antes de adotar postura mais otimista.

Como já abordamos em nossa cobertura sobre a suspensão das importações de carnes brasileiras pela União Europeia, o cenário global de carne bovina está cada vez mais volátil, o que reforça a importância das estratégias de desalavancagem e gestão de capital de giro para empresas como a Minerva.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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