Denúncia: ANAC foi alertada sobre irregularidades na Voepass antes do desastre

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 09/08/2026 21:20
Denúncia: ANAC foi alertada sobre irregularidades na Voepass antes do desastre

Foto: via G1

Hoje faz dois anos da queda do voo 2283 da companhia aérea Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo, que resultou na morte de 62 pessoas. A Polícia Federal encerrou a investigação das causas do acidente e indiciou 16 pessoas, incluindo pilotos, funcionários de terra, gerentes, diretores e o presidente da Voepass.

A denúncia de um ex-funcionário da ANAC revela que a agência foi alertada sobre o reaproveitamento de peças em aviões da Voepass antes do desastre. O ex-funcionário, que foi exonerado no ano passado após 16 anos de serviço, recomendou a suspensão da autorização de voo da MAP Linhas Aéreas (que se fundiu à Passaredo para criar a Voepass) em 2019, devido a evidências de que peças estavam sendo usadas sem avaliação de aeronavegabilidade.

Além disso, o ex-funcionário alertou que peças de um avião acidentado em Rondonópolis (MT) em 2016 estariam sendo reaproveitadas ilegalmente em 2022. No entanto, a ANAC desautorizou o inspetor perante órgãos internacionais (FAA e EASA) e ele acabou respondendo a um processo interno por insubordinação antes de sua exoneração.

A investigação da Polícia Federal revelou problemas estruturais na empresa, incluindo uma cultura de omissões e uma gestão pautada com pressões para não reportar problemas, priorizando o operacional em detrimento da segurança. A aeronave não era homologada para voar em condições de gelo severo, as quais já eram previstas na rota, e o sistema de degelo falhou em pelo menos 15 vezes antes, mas os defeitos não foram registrados no diário técnico.

A ANAC só cassou a autorização da Voepass em junho de 2025, dez meses depois do acidente. Em nota, a ANAC informou que os achados sobre o avião de Rondonópolis foram analisados e que as peças passaram por checagem conforme as normas. A agência anunciou a abertura de processo interno para verificar responsabilidades de servidores.

A Voepass reiterou que a segurança sempre foi prioridade, que seus treinamentos cumprem protocolos e que colabora com as autoridades. No entanto, a investigação da Polícia Federal e as denúncias do ex-funcionário da ANAC levantam questionamentos sobre a eficácia da fiscalização da agência e a prioridade da segurança na empresa.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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