Decisão do Republicanos sobre apoio a Flávio Bolsonaro é adiada para Convenção Nacional

Por José Carlos Pereira em Rio Verde, GO 17/07/2026 12:46
Decisão do Republicanos sobre apoio a Flávio Bolsonaro é adiada para Convenção Nacional

Foto: via O Hoje

O Republicanos deverá definir apenas em sua Convenção Nacional, marcada para 4 de agosto, se apoiará a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Até lá, a legenda mantém distância da pré-campanha do senador e amplia as dúvidas sobre a capacidade do PL de formar uma aliança mais ampla com partidos de direita e centro-direita.

Questionada sobre a posição do partido, a assessoria do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, informou que “a definição será apenas no dia 4, na convenção nacional”. A legenda também divulgou nota na qual nega que já tenha fechado acordo com Flávio. “O Republicanos nega que tenha fechado apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência da República”, afirmou.

O partido ainda negou que uma eventual aliança estivesse condicionada à indicação de Marcos Pereira para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da negativa, o Republicanos continua a ser considerado pelo PL a sigla com maior possibilidade de integrar a coligação presidencial. Em 2022, Republicanos e PP participaram da aliança que apoiou a tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro (PL).

Agora, porém, a pouco mais de uma semana para a convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, nenhum partido confirmou formalmente apoio a Flávio. Inicialmente, o objetivo do PL era reunir diferentes legendas para ampliar o discurso da campanha além do eleitorado bolsonarista. A demora na formação das alianças, entretanto, mostra que o senador enfrenta dificuldades para repetir a coligação construída pelo pai.

Nos bastidores, parlamentares do Republicanos avaliam que a candidatura ainda não conseguiu empolgar parte importante da legenda. Além disso, a pré-campanha de Flávio enfrentou desgastes recentes, como a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a discussão pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e as críticas à forma como o senador tratou as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

As crises também atingiram o desempenho eleitoral do pré-candidato. Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (15) apontou aumento da distância entre Flávio e o presidente Lula da Silva (PT). Integrantes do próprio PL admitem, reservadamente, que os episódios dificultam a formação de alianças. “O sistema está demonizando o nosso campo”, declarou um dirigente.

No Republicanos, a decisão passa ainda pelos interesses estaduais. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirma que apoiará Flávio independentemente da posição nacional da legenda. Mesmo assim, a tendência é que adote cautela nas aparições ao lado do senador para evitar que os problemas da campanha presidencial afetem sua tentativa de reeleição.

Em outra direção, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), defende a neutralidade do Republicanos. Na Paraíba, Motta trabalha pela candidatura do pai, Nabor Wanderley, ao Senado, e mantém alianças que envolvem setores próximos ao governo Lula. Dessa forma, uma adesão formal a Flávio poderia prejudicar acordos locais.

Em Goiás, a proximidade do Republicanos com o grupo de Ronaldo Caiado (PSD) também dificulta um apoio automático ao candidato do PL. O presidente estadual da legenda e o ex-prefeito de Anápolis Roberto Naves é aliado de Caiado e chegou a comandar a Goiás Turismo durante a gestão do ex-governador.

O deputado estadual Ricardo Quirino, que é pré-candidato a deputado federal, afirmou que a manifestação mais recente da direção nacional indica que o apoio ainda depende da condução política de Flávio. “A última manifestação do presidente do partido diz que depende do Flávio Bolsonaro”, declarou. Quirino, entretanto, antecipou que pretende permanecer ao lado de Caiado e do governador Daniel Vilela (MDB). “Sou da base de Daniel e Caiado, falo por mim, estarei com os dois. Colocarei para o partido o relacionamento que tenho com Caiado, que é pré-candidato à presidência. Irei apoiá-lo”, pontuou.

Com informacoes de O Hoje.

José Carlos Pereira

Sobre o Autor: José Carlos Pereira

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