DataFórum identifica indícios de uso de bots e ação coordenada nas redes após entrevista de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional
Um levantamento exclusivo realizado pelo DataFórum sobre a repercussão nas redes da entrevista de Flávio Bolsonaro (PL) ao Jornal Nacional revelou quatro indicadores que apontam indícios de uso de robôs (bots) e de ação coordenada para impulsionar publicações positivas ao senador.
O estudo analisou 992 tuítes capturados na rede X (antigo Twitter) com a busca “Bolsonaro” OR “Flávio”, publicados entre 08h12 e 08h54 do sábado (29), poucas horas após a entrevista. Dentre esses, 10 contas foram classificadas como hiperativas, sendo 8 favoráveis ao senador, e juntas responderam por 15% do total de publicações analisadas.
Os resultados mostraram que mensagens positivas sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro circularam três vezes mais que as negativas, indicando que bots foram empregados para amplificar a narrativa favorável.
Entre as evidências encontradas, 83 dos 148 tuítes enviados pelas 10 contas hiperativas continham texto idêntico, copiando literalmente o conteúdo principal de seus perfis, o que caracteriza a prática de “texto idêntico disparado em série”.
Outra constatação foi o “enxame na mesma enquete”: 31 contas distintas responderam “Flávio Bolsonaro” à mesma enquete do perfil @WanderValero, sendo que 13 dessas respostas continham texto rigorosamente idêntico.
Os intervalos de publicação variaram de 4 a 232 segundos ao longo de 39 minutos, sugerindo um mutirão humano organizado, porém com indícios de automação.
Um caso específico de automação quase conclusiva foi registrado pelo perfil @MacedoQ203, que publicou três respostas a três contas diferentes exatamente às 11:29:54, cada uma com mídia anexada, dentro de um total de 18 replies em 17 minutos. Publicar três tuítes distintos no mesmo segundo pelo aplicativo é impraticável manualmente, reforçando a hipótese de uso de bots.
Além disso, 150 das 647 contas analisadas apresentavam sufixo numérico longo, padrão autogerado do X, e 70% dos tuítes associados a essas contas eram favoráveis a Flávio Bolsonaro. Uma conta de loja de pets, criada em 2013, também atuou como disparadora de campanha, sugerindo que o perfil foi reciclado para fins de propaganda.
Edgard Piccino, analista de redes sociais do DataFórum, comentou: “Os dados apontam que, de fato, houve uma ação coordenada nas redes e há indícios fortes de uso de robôs”. Ele acrescentou que, embora os aparatos tecnológicos dificultem a identificação de bots, os detalhes observados revelam alta probabilidade de automação profissional, que costuma deixar poucos rastros.
O alcance da narrativa favorável se repetiu também nas plataformas Instagram e Facebook, onde 62% das interações foram positivas. O post mais engajado no período foi o próprio Flávio Bolsonaro, que compartilhou um corte sobre o recuo em relação ao discurso do pai acerca de suposta fraude nas urnas eletrônicas.
Em complemento à análise, o site argentino informou que Cerimedo e seu sócio Damián Merlo assessoram Bolsonaro, enquanto um consultor declarou ganhos de US$ 1 milhão por mês. Lula, por sua vez, comentou a fala de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional, afirmando que o senador “opera na lógica de ‘passar a boiada’”.
Pesquisas Datafolha também avaliaram o desempenho de Lula e Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional e no início da campanha, e o deputado Paulo Figueiredo, que já fez declarações controversas, foi citado em meio ao debate.
Com informacoes de Revista Fórum.

