Data centers no Brasil: desafios de energia, água e infraestrutura diante da explosão da IA
O país já é o principal mercado de data centers da América Latina, detendo 48% da capacidade instalada e contando com mais de 200 unidades em operação, embora ainda dependa de infraestrutura localizada no exterior.
A explosão do uso da inteligência artificial (IA) no Brasil abre um mercado de bilhões de dólares para os data centers, mas traz consigo estrangulamentos críticos.
Data center é a instalação física que concentra servidores, sistemas de armazenamento, redes de comunicação e equipamentos responsáveis por processar e distribuir grandes quantidades de informação. Não se trata de novidade; o que muda é a escala, impulsionada pela expansão do uso da IA generativa.
Modelos generativos exigem maior capacidade de processamento para treinar, armazenar informações e responder a consultas, o que implica necessidade de mais servidores, equipamentos especializados, espaço para canalizar energia elétrica e sistemas de refrigeração.
Levantamento da consultoria Gartner indica que, em 2026, o consumo global de eletricidade dos data centers deve alcançar 565 terawatts‑hora (TWh), alta de 26% em relação ao ano anterior. Para efeito de comparação, o consumo total de energia elétrica no Brasil em 2025 foi de 567 TWh.
A demanda global de potência deverá chegar a 132 gigawatts (GW) neste ano e atingir 290 GW em 2030, exigindo aumento significativo da carga energética em um mercado que já enfrenta grave problema energético.
Embora a matriz elétrica brasileira tenha forte participação de fontes renováveis, a localização da geração raramente coincide com os locais pretendidos para novos data centers, demandando infraestrutura de transmissão capaz de levar energia aos grandes consumidores.
A Brasscom, associação das empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de tecnologias digitais, estima que o Brasil pode atrair US$ 92 bilhões em investimentos em infraestrutura e equipamentos de data centers até 2031.
Segundo cálculos da Brasscom, a construção de um data center de grande porte no Brasil pode custar, em média, 34% a mais que nos Estados Unidos, consequência da alta tributação incidente sobre equipamentos de tecnologia.
O Projeto de Lei sobre o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) aguarda análise do Senado Federal e deve substituir a medida provisória que perdeu a validade em fevereiro.
A rápida adoção da IA também começa a disputar espaço na infraestrutura do país, principalmente na rede elétrica, ampliando a preocupação não apenas sobre quantos data centers o Brasil consegue atrair, mas sobre quanta energia, água e infraestrutura consegue disponibilizar para mantê‑los em funcionamento.
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Com informacoes de Estadão.

