Conheça a Composição Química dos Grãos de Café Brasileiros
O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo e é considerada a segunda mais consumida depois da água. O Brasil é o primeiro produtor mundial de grãos crus de café, com cerca de 70% de sua produção sendo do café arábica, conhecido por proporcionar cafés especiais.
A composição química dos grãos de café é rica em carboidratos, lipídicos e metabólitos. A classe química mais abundante nos grãos de café é a de carboidratos, seguido de uma rica fração lipídica, que dá origem ao óleo de café. Esse óleo possui até 70% de triglicerídeos, muitos com atividades antioxidantes bem conhecidas, tornando-o um produto de uso na cosmética.
Além dos triglicerídeos, há um grupo expressivo de metabólitos da classe dos diterpenos. Essas moléculas ocorrem esterificadas, gerando 24 derivados, mas são representadas por dois compostos apenas, que são os diterpenos cafestol e caveol. O cafestol é conhecido por sua ação antitumoral, mas também tem uma ação hipercolesterolêmica, que pode ser preocupante para a saúde.
A atividade comprovada e negativa do cafestol sobre o aumento do colesterol LDL tem respaldo científico e tem sido assunto na mídia. No entanto, nem toda bebida de café quente possui concentração significativa de cafestol. As bebidas que contêm maior quantidade de cafestol na xícara são basicamente aquelas não coadas, como a turca, fervida e prensa francesa. O café expresso apresenta teores mais reduzidos, e o coado em pano ou papel tem concentração bastante reduzida.
O Laboratório de Análises de Aromas (LAROMA), localizado no Instituto de Química da UFRJ, desenvolveu uma rota de produção para a obtenção de cafestol puro. Isso tem permitido investigar metabólitos formados a partir dessa substância em modelos de digestão in vitro e em modelos animais. O objetivo é compreender como essa substância se transforma e qual sua natureza química.
Além disso, o grupo também tem desenvolvido rotas de produção dos derivados de torra de cafestol. O objetivo é compreender seu papel na saúde, especialmente se essas moléculas mantêm seu aspecto negativo no colesterol. Recentemente, investigaram alguns derivados dos diterpenos formados sob alta temperatura em modelos teóricos, conhecidos como in silico, e observaram que, a princípio, é provável que tenham impacto semelhante na hipercolesterolemia.
O café é uma fonte potencial de conhecimento científico e de oportunidades para inovação, especialmente no Brasil, que domina sua exportação mundial. Os estudos desenvolvidos pelo grupo visam desenvolver estratégias que tragam informações úteis à saúde, qualidade dos grãos e sustentabilidade, reforçando os aspectos da economia circular da cadeia cafeeira.
Com informacoes de G1 Agronegócios.

