Cometa 240P/NEAT: Um Caso Raro de Ruptura no Espaço

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 03/08/2026 08:09
Cometa 240P/NEAT: Um Caso Raro de Ruptura no Espaço

Foto: via Space Today

O cometa 240P/NEAT, observado por seis meses com o Telescópio Óptico Nórdico, revelou um fenômeno raro: dois núcleos que se afastam a 1 metro por segundo, resultado de uma ruptura ocorrida em silêncio, perto do afélio, anos antes de ser notada. Em algum momento por volta de setembro de 2022, a quase 840 milhões de quilômetros do Sol, um pedaço de gelo e poeira do tamanho de um bairro se partiu em dois, sem qualquer explosão visível ou clarão.

A temperatura na região beirava 166 kelvins, algo como 107 graus negativos, e o corpo se arrastava pela região mais lenta e mais escura de sua órbita, tão longe do Sol que qualquer atividade tinha praticamente cessado. O evento levou anos para ser percebido, e só em 4 de junho de 2025, quando o cometa já retornava ao interior do Sistema Solar e estava a 2,6 unidades astronômicas do Sol, os astrônomos Michael Jaeger e Gerald Rhemann notaram um segundo ponto de luz acompanhando o cometa 240P/NEAT.

O estudo, liderado por David Jewitt, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Jane Luu, do Centro de Habitabilidade Planetária da Universidade de Oslo, e Yoonyoung Kim, também da UCLA, é um dos raros estudos físicos detalhados de um cometa em processo de ruptura. O cometa 240P/NEAT é um representante típico da família de Júpiter, o grupo mais numeroso de cometas de período curto conhecido, com uma órbita que tem semieixo maior de 3,862 unidades astronômicas, excentricidade de 0,450 e inclinação de 23,5 graus em relação ao plano da eclíptica.

A influência de Júpiter é constante e brutal, e o encontro mais recente ocorreu em 9 de julho de 2007, quando 240P passou a menos de 0,25 unidade astronômica do planeta gigante. Esse encontro remodelou a órbita do cometa, e a distância do periélio caiu de aproximadamente 2,5 para 2,1 unidades astronômicas. A atividade atual de 240P, incluindo vários surtos fotométricos de longa duração registrados em 2018 e 2019, pode ser consequência direta dessa reprogramação orbital imposta por Júpiter.

Cometas partidos foram registrados às dezenas ao longo do último século, mas a documentação raramente vai além do registro do fenômeno. Estudos físicos detalhados desses objetos quase nunca chegam à literatura arbitrada, e essa lacuna incomoda porque as evidências acumuladas apontam que a fragmentação e a desintegração, e não a perda por sublimação, são os principais mecanismos de destruição de cometas, pelo menos entre os núcleos de menor porte.

As observações foram feitas com o espectrógrafo e câmera ALFOSC, montado no foco Cassegrain f/11 do telescópio de 2,56 metros de diâmetro, e fornecem uma visão detalhada do processo de ruptura do cometa 240P/NEAT, contribuindo para o entendimento de como esses corpos terminam suas vidas no espaço.

Com informacoes de Space Today.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.