Com Amor, Alcione: Exposição no Museu das Favelas Celebra 50 Anos de Carreira

Por Leonardo Prado Ramos em Rio Verde, GO 31/07/2026 07:20
Com Amor, Alcione: Exposição no Museu das Favelas Celebra 50 Anos de Carreira

Foto: via TMDQA

Com Amor, Alcione está em cartaz até 6 de dezembro no Museu das Favelas, no Centro Histórico de São Paulo, com entrada gratuita. Em sua primeira itinerância, a exposição reúne mais de 650 itens do acervo pessoal da cantora e ganha um módulo dedicado à relação da artista com a capital paulista e às migrações que ajudaram a formar a cidade, além de uma imperdível sala de LPs, cassetes, CDs e até jukebox interativa com karaokê.

A exposição percorre temas como família, fé, carnaval, migração e identidades negra e nordestina, com uma curadoria que teve muito cuidado com os detalhes. Fotografias raras, vídeos, prêmios, objetos pessoais, figurinos e registros musicais aproximam o público de diferentes versões da artista: a menina criada em uma família de músicos, a maranhense que deixou São Luís, a mulher negra que enfrentou tentativas de desqualificação e a cantora que transformou composições em parte da memória afetiva brasileira.

Alcione aparece ao lado de Cartola, Clara Nunes, Elke Maravilha, Pelé, Maria Bethânia, Gal Costa, Martinho da Vila, Cher e tantas outras personalidades que cruzaram seu caminho ao longo da carreira. A mostra estabelece uma ponte entre o Maranhão e São Paulo, com uma sala que conta uma linha do tempo da história do Brasil e um texto lido na voz da artista – de emocionar!

A presença do Maranhão atravessa toda a exposição, está nas cores, nos materiais, nos elementos do Bumba Meu Boi e na maneira como a expografia apresenta a artista. Para o curador Gabriel Gutierrez, uma das escolhas decisivas de Alcione durante sua carreira foi preservar essa ligação enquanto ampliava o alcance da própria obra: 'Uma das boas escolhas contínuas da Alcione foi nunca deixar de ser fiel às suas raízes maranhenses.'

Alcione criou o sentimento brasileiro, criou uma forma de a gente sentir. A gente se relaciona com as emoções de maneira diferente depois de ouvi-la. Essa abertura para a vida, muito genuína e direta, mantém o samba vivo, com crianças do século XXI cantando Alcione 50 anos depois.

A exposição reúne grande parte das capas dos discos de Alcione, além de fitas cassete e CDs lançados em diferentes períodos. São objetos que registram mudanças na indústria fonográfica, no design e na maneira como as pessoas escutam música. Entre tantos títulos, Alerta Geral ocupa um lugar especial para esta repórter. Lançado em 1978 pela Philips, o quarto álbum de estúdio da cantora é um dos melhores discos de samba já feitos.

Eu tive muitos discos bonitos, como ‘E Vamos à Luta’, em que cantei música do Gonzaguinha. Outro disco que marcou a minha vida foi ‘Gostoso Veneno’. Sempre tive uma turma de compositores muito bons compondo para mim. Tive a sorte de encontrar pessoas que queriam me dar uma música. Gilberto Gil me deu uma inédita para gravar. Graças a Deus, foi por aí que eu vim,” disse Alcione durante a inauguração da exposição.

A exposição 'Com Amor, Alcione' é um tributo à carreira de uma das cantoras mais importantes do Brasil, e é uma oportunidade para os visitantes se aproximar da vida e da arte de Alcione de uma maneira única e emocionante.

Com informacoes de TMDQA.

Leonardo Prado Ramos

Sobre o Autor: Leonardo Prado Ramos

Léo Prado é o repórter de música do MOTNAF.NEWS: rap e hip-hop nacional e internacional, pop, sertanejo, funk, lançamentos de álbuns e singles, shows, turnês, charts (Billboard/Spotify) e prêmios. Vive ligado no que toca.