Colômbia: Cultivo de Coca Atinge Níveis Recordes Após Atrasos no Apoio Governamental

Por Sebastião Gomes da Silva em Rio Verde, GO 27/07/2026 07:40
Colômbia: Cultivo de Coca Atinge Níveis Recordes Após Atrasos no Apoio Governamental

Foto: Nelson Almeida/AFP

O agricultor Perea e outros produtores voltaram a cultivar coca na Colômbia após atrasos no apoio governamental. O plantio no país atinge o recorde de 250 mil hectares. Lançado em 2017 após o acordo de paz com as Farc, o programa PNIS prometeu apoio financeiro a cerca de 100 mil famílias em troca da erradicação.

A iniciativa surgiu do acordo de paz de 2016 entre o governo e o maior grupo guerrilheiro da Colômbia, as FARC. Em troca da erradicação de suas plantações de coca, os agricultores também receberiam apoio técnico — inclusive de agrônomos — e orientações sobre o manejo do solo.

Contudo, atualmente, o plantio de coca atinge níveis recordes e muitos colombianos participantes desses programas relatam sentir-se decepcionados. Elena Hernández mudou-se para a região de cultivo de coca de Guaviare durante o "boom" da década de 1990, atraída por uma remuneração melhor.

"Havia mais dinheiro naquela época; via-se isso em toda parte", diz ela. "Consegui economizar e comprar uma casa pequena." Mas a indústria da coca também trouxe violência e insegurança. Grupos armados disputavam o controle, enquanto o governo tentava conter a produção por meio da erradicação manual, fumigação aérea e prisões.

O pesquisador Michael Weintraub aponta que a demanda internacional por cocaína e a atuação de grupos armados rurais mantêm o cultivo ativo em território colombiano. No ano passado, o governo iniciou o programa RenHacemos para corrigir falhas do PNIS.

A nova estratégia prevê diversificar economias locais e melhorar a infraestrutura regional. Quando Perea parou de cultivar coca, a matéria-prima usada para produzir cocaína, ele jurou nunca mais plantá-la. Ele arrancou os arbustos verdes de sua pequena propriedade em uma área remota da província de Meta, na Colômbia — acessível apenas por via fluvial — e os substituiu por culturas legais, como mandioca e banana.

Contudo, grande parte da assistência prometida nunca chegou, e a falta de estradas, somada às inundações recorrentes, dificultava a venda de sua produção. Em 2024, desiludido, ele voltou a cultivar coca.

"É uma tragédia", diz Perea. "Mas, quando você tem filhos e não tem trabalho, que escolha lhe resta? Se a ajuda nunca chega, você volta a cultivar a planta." A folha de coca é uma cultura ancestral tradicionalmente usada por comunidades indígenas em chás e medicamentos.

No entanto, hoje, a maior parte dela é processada para a produção de cocaína. Estima-se que 70% da oferta global dessa droga ilegal provenha da Colômbia. "A coca apresenta algumas vantagens importantes em relação a outras culturas", afirma Lucas Marín Llanes, pesquisador colombiano especializado na economia da coca e em estratégias de substituição de cultivos.

"As colheitas são rápidas — os agricultores conseguem realizar três ou quatro por ano —, o transporte é mais fácil e eles sabem por qual preço venderão." Pesquisas das quais Marín participou indicam que o cultivo de coca também pode impulsionar as economias locais, tendo elevado o PIB municipal em até 10% em algumas áreas entre 2014 e 2019.

O atual governo tem buscado enfrentar a situação por meio de sua política de "Paz Total", que envolve negociações de paz com diversos grupos armados e facções criminosas. No entanto, analistas apontam que os avanços têm sido limitados.

Contudo, a situação é complexa e envolve forças que transcendem as fronteiras da Colômbia — a demanda contínua e enorme por cocaína nos EUA e na Europa, bem como o surgimento de novos mercados em outras regiões.

Com informacoes de G1 Agronegócios.

Sebastião Gomes da Silva

Sobre o Autor: Sebastião Gomes da Silva

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