Cicatrizes de Água em Marte Revelam História Geológica Recente

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 08/07/2026 17:21
Cicatrizes de Água em Marte Revelam História Geológica Recente

Foto: via Space Today

As cicatrizes que a água deixou em Marte são visíveis em um terreno esburacado da Utopia Planitia, uma vasta bacia de impacto no hemisfério norte do planeta. O radar do rover chinês Zhurong revelou, sob esse terreno, a assinatura de uma atividade ligada à água que persistiu até o Amazoniano tardio, o passado geológico mais recente do planeta vermelho.

A equipe de pesquisadores, liderada por Ling Zhang, da Universidade Sun Yat-sen, em Guangzhou, reuniu imagens de altíssima resolução, fotografias tiradas no solo pelo próprio rover e dados de um radar capaz de enxergar abaixo da superfície marciana. O conjunto de evidências aponta para uma conclusão que, se confirmada por trabalhos futuros, reescreve um pouco do que se acreditava sobre a história recente do planeta vermelho.

A Utopia Planitia é uma região de transição topográfica entre as terras altas do sul e as planícies baixas do norte, conhecida como dicotomia crustal marciana. A presença de gelo no subsolo marciano não é apenas uma curiosidade científica, mas um recurso valioso e acessível para a futura exploração humana, especialmente nas latitudes médias e baixas, onde pousar e trabalhar é mais simples do que nos polos.

O Zhurong foi enviado para investigar essa história e carregava seis instrumentos científicos, incluindo um detector de composição da superfície, uma câmera multiespectral, uma câmera de navegação e terreno, um magnetômetro, uma estação meteorológica e o radar de penetração montado no rover, conhecido pela sigla RoPeR.

A jornada do Zhurong sobre a superfície durou 325 sols, durante os quais o rover percorreu 1.784 metros, avançando do norte para o sul em uma trajetória sinuosa. Foi no trecho final dessa caminhada, entre os sols 244 e 266, que o veículo encontrou o terreno esburacado e coletou os dados de radar que viriam a se tornar o centro do estudo.

O radar de penetração do rover é capaz de mostrar o que existe abaixo da casca visível do planeta, com duas frequências distintas, cada uma especializada em uma profundidade. A equipe processou os dados do segundo canal, o de alta frequência, para investigar as covas, cuja escala é pequena e cujos detalhes importam.

Os dados crus foram convertidos para uma forma binária manejável e submetidos a uma sequência longa e delicada de etapas de processamento, incluindo a remoção dos traços de autoteste, a supressão do ruído branco, a retirada do ruído de fundo, a equalização da energia entre os traços, a filtragem de banda e a aplicação de ganho para compensar a atenuação natural do sinal.

Com informacoes de Space Today.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.