China trava plano para se livrar da dependência do agro brasileiro

Por Sebastião Gomes da Silva em Rio Verde, GO 27/07/2026 06:30
China trava plano para se livrar da dependência do agro brasileiro

Foto: Nelson Almeida/AFP

De janeiro a junho de 2026, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 58,322 bilhões, um crescimento de 21,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados consolidados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No mesmo intervalo, as exportações para os Estados Unidos recuaram 13%, uma perda de US$ 2,6 bilhões, após o governo de Donald Trump impor tarifas de 50% sobre parte dos produtos brasileiros em 2025.

A China está investindo em tecnologias de biotecnologia, inteligência artificial e novas fontes de proteína para reduzir sua dependência de importações agrícolas, o que pode afetar as exportações de soja brasileira. O Plano Quinquenal da China prioriza a segurança alimentar e estabelece metas para ampliar a produção doméstica de grãos, aumentar a autossuficiência em sementes agrícolas e desenvolver novas fontes de proteína.

As importações chinesas de soja podem cair cerca de 25% até 2030, de acordo com projeções do relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq. Isso é impulsionado por melhorias na alimentação animal, ganhos de produtividade e o avanço de proteínas produzidas por novos processos industriais.

A senadora Tereza Cristina alertou que "o Brasil tem que estar com o sinal amarelo ligado" e defende a agregação de valor e investimentos em combustíveis sustentáveis. O Brasil é o maior fornecedor de soja para a China e a dependência externa é um problema para o país.

A transformação da China em potência econômica foi acompanhada por uma mudança igualmente profunda na forma como sua população se alimenta. A dieta do país passou por uma rápida diversificação: o consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados cresceu de forma acelerada.

A China precisa ampliar fortemente a oferta de ração animal para produzir mais fontes de proteína, o que tem como um dos insumos principais a soja. Isso porque o território chinês enfrenta limitações estruturais para expandir sua produção agrícola.

Com informacoes de G1 Agronegócios.

Sebastião Gomes da Silva

Sobre o Autor: Sebastião Gomes da Silva

Tião é o agro do MOTNAF.NEWS de bota e chapéu. Cotação de soja, milho, boi e café, clima para a safra, tecnologia no campo, exportação e as decisões que mexem com quem produz o alimento do Brasil. Direto, sem enrolação e com o pé no barro, do pequeno produtor ao agronegócio que move o país.