China pousa primeiro estágio reutilizável do Zhuque‑3 em solo chinês
A LandSpace, empresa espacial privada chinesa, conseguiu um feito histórico ao fazer o primeiro estágio do seu foguete Zhuque‑3 retornar à Terra e pousar verticalmente em solo firme, algo nunca antes visto nos lançamentos orbitais chineses.
O lançamento ocorreu na quarta‑feira, dia 19 de agosto, no horário local da China, ainda na noite de terça‑feira, 18, no Brasil. A partida foi feita da Zona de Testes de Inovação Espacial Comercial de Dongfeng, e, após completar a fase orbital, o primeiro estágio fez a reentrada e aterrissou na área de recuperação prevista em Minqin, província de Gansu.
O Zhuque‑3 mede 66,1 metros de comprimento, possui dois estágios com um núcleo único e é construído majoritariamente em aço inoxidável. Seus motores são alimentados por metano líquido e oxigênio líquido; o primeiro estágio está equipado com nove unidades Tianque‑12A.
Para garantir o retorno controlado, o estágio de retorno conta com aletas de estabilização, sistemas de controle de atitude e quatro pernas de pouso, que permitem desacelerar e executar uma aterrissagem vertical após a separação do segundo estágio.
A fase de recuperação é a mais complexa da missão: após a separação, o estágio precisa gerenciar sua trajetória durante a reentrada, acionar queimas de motor adicionais e reduzir gradualmente a velocidade até tocar o solo no ponto planejado.
A LandSpace já vinha testando essa capacidade. Em janeiro de 2024, um veículo de teste equipado com um motor Tianque‑12 realizou decolagem e pouso vertical a aproximadamente 350 metros de altitude, aterrissando a 2,4 metros do alvo com velocidade de 0,75 m/s. Em setembro do mesmo ano, outro teste elevou a altitude para mais de dez quilômetros e incluiu desligamento e reacendimento do motor durante o voo.
O voo inaugural do Zhuque‑3, realizado em dezembro de 2025, havia colocado a carga em órbita com sucesso, mas o primeiro estágio não completou a recuperação. O motor apresentou uma anomalia de combustão na fase final de pouso, resultando na destruição do estágio, conforme informou a agência estatal Xinhua. Apesar da falha, a missão forneceu dados valiosos sobre comportamento estrutural, proteção térmica, aerodinâmica e algoritmos de orientação durante reentrada.
Embora a China já tivesse recuperado um primeiro estágio orbital antes – em julho de 2026 o Long March‑10B teve seu estágio capturado por uma plataforma marítima – o Zhuque‑3 marca a primeira recuperação em terra firme, com pouso vertical sobre pernas, diferenciando‑se da captura marítima anterior.
Esse avanço segue a mesma lógica adotada pela SpaceX em seus foguetes Falcon 9, que utilizam os próprios motores para desacelerar e retornar à superfície. Como já relatamos em nossa cobertura da recuperação da Starship pela SpaceX, a reutilização de estágios pode reduzir custos e aumentar a frequência de lançamentos.
Com o pouso bem‑sucedido, a LandSpace demonstra que a China está consolidando duas estratégias distintas de recuperação – marítima e terrestre – ampliando as opções para o futuro da exploração espacial comercial chinesa.
Com informacoes de Olhar Digital.

