Cevam luta para manter portas abertas em Goiás após 45 anos de atuação
Há 45 anos, o Centro de Valorização da Mulher Consuelo Nasser (Cevam) é uma referência na rede de proteção às vítimas em Goiás. A instituição acolhe mulheres que chegam ao local carregando marcas da violência, muitas vezes acompanhadas dos filhos e sem ter para onde ir. Apesar de ter reduzido em quase 58% uma dívida acumulada ao longo dos últimos anos, o Cevam ainda depende da solidariedade da população para custear despesas básicas, manter os atendimentos e oferecer alimentação às mulheres acolhidas.
Em 2021, a atual gestão assumiu um passivo de aproximadamente R$ 1,3 milhão, mas ainda precisa quitar obrigações trabalhistas, encerrar ações judiciais herdadas de administrações anteriores e investir na manutenção da estrutura. Hoje, o centro funciona com uma equipe reduzida de apenas seis funcionários, entre recepcionista, zelador e colaboradores administrativos, além de cinco voluntários que ajudam na rotina da instituição.
Embora mantenha um convênio com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds), responsável pelo custeio de despesas como água, energia elétrica e parte da alimentação, os recursos públicos não são suficientes para atender todas as necessidades da casa. Grande parte dos alimentos servidos diariamente depende de doações da sociedade.
O Cevam foi fundado em 20 de abril de 1981, apenas 21 dias após o assassinato da cantora Eliane de Grammont pelo ex-marido, o cantor Lindomar Castilho. O crime ganhou repercussão nacional e impulsionou a mobilização de mulheres goianas lideradas pela jornalista e advogada Consuelo Nasser, que defendia a criação de políticas permanentes de enfrentamento à violência de gênero.
Desde 1998 até outubro do ano passado, o Cevam contabilizou 37.128 acolhimentos entre mulheres, adolescentes e crianças. Apenas entre 2020 e junho de 2026, foram atendidas 9.024 mulheres e 504 crianças, entre pessoas acolhidas e assistidas pelos serviços da instituição.
A continuidade dos serviços depende diretamente da participação da sociedade. A entidade precisa de doações de alimentos, produtos de higiene pessoal, materiais de limpeza, roupas, calçados e acessórios em bom estado. Entre os itens mais necessários estão ovos, óleo, verduras e alimentos não perecíveis, como arroz, feijão, açúcar, café, leite, macarrão, farinha, molho de tomate, milho, ervilha, palmito, azeitona, sucos, achocolatado, temperos e misturas para bolo.
As roupas, calçados e acessórios recebidos abastecem o bazar solidário mantido pelo Cevam. A renda obtida com as vendas é utilizada para custear despesas cotidianas, como a compra de gás de cozinha, medicamentos e insumos para a manutenção da horta.
As doações podem ser entregues diretamente na sede da instituição ou realizadas por meio da chave Pix cevam.goiano@gmail.com. Informações também podem ser obtidas pelo telefone (62) 3847-4972.
Com informacoes de O Hoje.

