Cenários apontam que Guaíba deve ficar na cota de atenção, mas inundação não é descartada
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) emitiram um boletim hidrológico que mostra a possibilidade de o Guaíba ultrapassar a cota de inundação a partir do dia 3 de agosto. No entanto, a possibilidade de inundação no centro de Porto Alegre aparece em apenas um dos quatro cenários meteorológicos considerados pelo boletim.
Nos outros três cenários, o Guaíba não chegaria à cota de alerta – ou seja, ficaria abaixo também da cota de inundação no centro da Capital. O boletim destaca que os quatro cenários convergem quanto à possibilidade de chuvas persistentes, mas divergem em relação aos locais específicos em que as chuvas serão registradas.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul reforça que não vê possibilidade de o Guaíba alcançar a cota de inundação. A informação foi trazida durante coletiva de imprensa, onde a hidróloga Vanderleia Schmitz afirmou que os cenários de meteorologia não indicam cota de inundação para o Guaíba, mas sim cota de atenção para os dias 31 ou 1º de agosto.
A Defesa Civil do Estado utiliza-se dos modelos meteorológicos globais mais adequados para previsão de eventos extremos, como o europeu (ECMWF) e o americano (GFS). Além disso, a entidade também utiliza modelos regionais, como o COSMO (INMET), WRF (Climatempo) e WRFs (UFPel e da Sigma), que oferecem melhor resolução espaço/tempo.
O meteorologista Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apontou que o modelo mais pessimista para o Guaíba depende de as chuvas se concentrarem, nos próximos dias, mais ao norte do Estado. Já o professor de hidrologia da UFRGS, Rodrigo Paiva, reforça que há incerteza neste momento sobre a localização e o volume das chuvas, o que sustenta as divergências de cenários para os próximos dias.
O governador Eduardo Leite ressaltou a necessidade de monitoramento contínuo, destacando que o que se sabe, no momento, é que um volume expressivo de chuva irá cair no Estado nos próximos dias, mas o local e o espaço de tempo dessa precipitação é o que vai fazer diferença nos cenários possíveis.
A Defesa Civil do Estado pontuou ainda que, mesmo que concordem, os modelos da Defesa Civil e do SGB são diferentes, então um não se baseia no outro. A entidade reforçou que vê o SGB e o IPH como instituições importantes, que contribuem de forma muito relevante para o cenário hidrológico do Estado, e os materiais divulgados por eles servem como apoio nos momentos de tomada de decisão.
Entre esta segunda-feira e domingo (2), os acumulados podem ultrapassar 200 mm em diversas regiões. O volume já pressiona mananciais gaúchos e coloca pelo menos sete rios em alerta de inundação: Ibicuí, Ibirapuitã, Santa Maria, Quaraí, Jacuí, Caí e Sinos.
Com informacoes de GZH.

