CBF considera justificativas do Vasco insuficientes e impõe restrições envolvendo Crefisa e relação com Palmeiras
Após contatos informais nos últimos meses e solicitações de documentos à diretoria vascaína, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão da CBF responsável por implementar o fair play financeiro no país, instaurou um inquérito para apurar eventual conflito de interesses.
Em avaliação preliminar, a CBF considerou as justificativas apresentadas pelo Vasco da Gama insuficientes; o clube terá prazo para apresentar novas provas, mas, enquanto isso, ficará sujeito a medidas cautelares.
Entre as restrições impostas, estão a proibição de negociação de jogadores – tanto no profissional quanto nas categorias de base –, a vedação de compartilhamento de estruturas, funcionários e patrocinadores. A sanção principal impede que o Vasco obtenha recursos financeiros da Crefisa, banco associado a Leila Pereira e ao seu marido José Lamacchia, pai de Marcos, que integra a Almirante Participações, investidora preferencial na compra da SAF vascaína.
A vedação abrange empréstimos, financiamentos, antecipação de receitas e a prestação de garantias em favor do clube, qualquer que seja a denominação adotada, após a utilização do banco para garantir a contratação do meio‑campo Santiago Sosa nesta janela de transferências. Operações desse tipo não poderão mais ser realizadas.
A CBF não proibiu, entretanto, a captação de empréstimos junto ao futuro investidor que o Vasco pretende envolver no processo de recuperação judicial, que busca aprovação de mais de R$ 150 milhões para evitar um suposto colapso financeiro.
A ANRESF esclareceu que ficam proibidas “novas relações de crédito entre a Vasco da Gama SAF ou o Club de Regatas Vasco da Gama e as pessoas jurídicas que figuram como garantidoras no Acordo de Investimento, bem como as sociedades e instituições financeiras que integram os grupos econômicos dessas garantidoras”. A restrição, porém, “não atinge a investidora nem as sociedades por ela controladas”, e os aportes e auxílios financeiros previstos no Acordo de Investimento permanecem íntegros.
O objetivo central da investigação é verificar se uma mesma pessoa pode exercer, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube que disputa a mesma competição. Nesse contexto, a pessoa apontada é a presidente do Palmeiras, Leila Pereira. O clube paulista não se manifestou sobre a manifestação da ANRESF.
A medida está respaldada no artigo 86 do Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira e no Título VII do Regimento Interno da agência.
“A vedação à multipropriedade e à influência cruzada é uma das regras que sustentam a confiança nas competições: quando dois clubes que se enfrentam podem responder, direta ou indiretamente, à mesma vontade, o resultado em campo deixa de ser a única coisa que importa”, ressaltou a ANRESF em comunicado aos clubes, acrescentando que a instauração do inquérito não constitui julgamento de mérito e que a decisão deverá ser proferida em até 30 dias.
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Com informacoes de O GLOBO.

