Candidatura de Salles ao Senado causa discórdia na direita em São Paulo
A candidatura de Ricardo Salles ao Senado por São Paulo tem causado discórdia na direita. Fora da chapa encabeçada pelo governador Tarcísio de Freitas, que disputa a reeleição, o ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro tem centrado fogo no presidente da Alesp, André do Prado, por, segundo Salles, não ser 'tão bolsonarista como quer fingir que é'.
Salles e Prado ficaram tecnicamente empatados na pesquisa Quaest de intenção de voto para o Senado, atrás das candidatas da chapa de Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet. À frente deles também estava Pablo Marçal, que está inelegível, e o colega de chapa de André do Prado, o deputado federal e ex-secretário da Segurança de Tarcísio, Guilherme Derrite.
Durante a convenção estadual de seu partido, no último dia 20, Derrite poupou Salles de críticas e disse ter amizade com o ex-ministro. 'Se tivéssemos só dois candidatos da direita, teríamos mais chance de fazer as duas cadeiras [no Senado]. Agora, ele tem o direito de concorrer, e eu não vejo o Ricardo Salles como um adversário político. Nunca foi e não vai ser agora', afirmou na ocasião.
No mesmo evento, André do Prado demonstrou desconforto ao ser questionado sobre como lidaria com a candidatura de Salles. Respondeu que quem teria que lidar com essa questão era o adversário Salles, uma vez que ele e Derrite foram os escolhidos da família Bolsonaro e de Tarcísio.
Chamou atenção, porém, a ausência do presidente da Alesp durante as falas de Tarcísio e do presidenciável Flávio Bolsonaro. À mesa, uma série de líderes e candidatos da direita: Derrite, Flávio, Maurício Neves, Milton Leite, o prefeito Ricardo Nunes, o vice-governador Felício Ramuth e o deputado estadual Delegado Olim.
Salles tem centrado fogo em André do Prado, com acusações de que integra o chamado Centrão. No começo do mês, o Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura de Salles, por pendências documentais em processos para a certidão da Justiça Estadual. O deputado federal divulgou vídeo com sua explicação — o processo em questão tinha a ver com motociata realizada com o então presidente Jair Bolsonaro em 2022 — e aproveitou o vídeo para provocar o adversário: 'Aliás, eu não vi o André do Prado na motociata, acho que ele não é tão bolsonarista como quer fingir que é hoje em dia...'
Já existem duas representações contra o ex-ministro no Tribunal Regional Eleitoral em função dos ataques. Em uma delas, movida pelo PL, o TRE-SP condenou Ricardo Salles a pagar R$ 10 mil em multas por impulsionar no Instagram um vídeo contra o presidente da Alesp, sob a alegação de que a publicação utilizou imagens manipuladas sem identificação e veiculou propaganda eleitoral negativa irregular durante a pré-campanha.
Com informacoes de G1 Política.

