Campanha eleitoral de 2026 inicia com disputa entre soberania nacional e segurança pública
A corrida presidencial de 2026 tem sua largada oficial neste domingo (16/8). Os primeiros movimentos já dão pistas de como cada campo vai jogar: na quinta-feira (13/8), Flávio Bolsonaro apresentou seu plano de governo apostando em discurso centrado na segurança pública e na retomada do poder de compra do brasileiro, enquanto o entorno de Lula já sinaliza que fará da soberania nacional, traduzida pelo Pix, parte de sua estratégia de campanha.
Flávio Bolsonaro apresentou as diretrizes do seu plano de governo, com foco em tratar facções criminosas como organizações terroristas e na construção de megapresídios. O documento também promete um “Tesouraço”, com corte de pelo menos 10 ministérios, redução de cargos comissionados e uma ampla revisão normativa, além da revisão da Reforma Tributária.
Para o consultor de marketing político Deividi Lira, a espinha dorsal da campanha de Flávio Bolsonaro será mesmo a segurança pública, mas associada ao combate à corrupção. Lira nota que a escolha de Alfredo Gaspar para vice, na semana passada, reforça essa tônica. “Alfredo Gaspar foi promotor de Justiça, procurador‑geral de Justiça de Alagoas, secretário de Segurança Pública do estado e ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS, com toda aquela história do ‘prende o Lulinha’”, explica Lira.
O cientista político Valdir Pucci concorda com a avaliação de que a segurança será o principal mote do bolsonarismo com Flávio e indica a corrupção como segundo eixo fixo do discurso da direita. Pucci também cita a CPMI do INSS e lembra a proximidade dessas denúncias com nomes como o de Jacques Wagner para associá‑las a Lula e ao PT.
O problema, chama atenção Lira, é que essa estratégia pode causar um efeito colateral que já apareceu nas pesquisas: o vazamento da conversa de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro e uma possível associação entre os dois. “Temos observado nas últimas pesquisas o efeito da conversa vazada com o Daniel Vorcaro. Eleitores mais conservadores e evangélicos, que cobravam coerência de um filho do Jair Bolsonaro negociando com um banqueiro, começam a migrar para o eleitorado independente”, avalia Lira. Ele acredita que esse movimento possa beneficiar outro candidato: Renan Santos.
Pucci avalia que haverá mudança de rota na campanha de Lula em relação a 2022. Naquele ano, o PT fez da defesa da democracia seu eixo central; agora, avalia, o discurso deve migrar para a defesa da soberania nacional, puxado pelo desgaste da relação com os Estados Unidos e pelas tarifas de Donald Trump.
Lira concorda sobre a origem do tema como mote da campanha, que se soma ao fato de o governo americano ter caracterizado o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, mas faz ressalva sobre o quanto ele de fato vai pautar a campanha. “Para o eleitor de direita e o independente, os problemas do Brasil precisam ser resolvidos pelo governo brasileiro, sem interferência de uma nação externa. Mas eu não”
Com informacoes de Ultima Hora Online.

