Caiado apresenta plano de saúde com foco em prevenção, digitalização do SUS e prioridade para casos graves
Na terça-feira, 18, em São Paulo, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência da República pelo PSD, divulgou seu plano de governo para a área da Saúde.
O documento foi elaborado sob a coordenação do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que integrou o governo de Jair Bolsonaro e foi afastado em 2020 por divergências sobre a condução da pandemia.
Entre as ações previstas estão o fortalecimento da atenção básica, a implantação de um prontuário eletrônico nacional, a utilização de inteligência artificial na gestão e no diagnóstico de doenças, além de políticas direcionadas ao envelhecimento da população.
Caiado afirmou que pretende adaptar ao plano nacional experiências implementadas durante sua gestão como governador de Goiás, ressaltando sua formação médica e recordando as medidas de isolamento social adotadas no início da crise de Covid‑19. Segundo ele, "Meu compromisso é com cuidar de vidas, salvar vidas. Essa é a minha formação e é o meu juramento".
De acordo com a pesquisa de intenção de voto do Quaest para o primeiro turno, os candidatos apresentam as seguintes porcentagens: Lula, 38%; Flávio Bolsonaro, 31%; Renan Santos, 4%; Caiado, 4%; Augusto Cury, 2%; e Zema, 2%.
Caiado descreveu o atual modelo de atenção como predominantemente "reativo" e defendeu a mudança de foco para a prevenção e o diagnóstico precoce. Ele declarou que "Hoje estamos brigando com a doença, ou seja, estamos recebendo paciente com a doença em fase avançada" e que a estratégia visa reduzir custos e melhorar prognósticos.
Um dos pilares do plano é a regionalização da assistência, com o objetivo de diminuir mortes evitáveis decorrentes da dificuldade de acesso a hospitais de média e alta complexidade em diversas regiões do país.
O candidato elogiou o Sistema Único de Saúde (SUS) como uma das maiores conquistas da Constituição de 1988, mas apontou a necessidade de adaptar a rede pública às mudanças demográficas. Ele destacou que o Brasil tem cerca de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos e que a tendência é de aumento da população idosa nas próximas décadas, demandando políticas específicas para cardiopatias, AVCs, transtornos mentais e doenças neurodegenerativas.
Caiado também ressaltou a ampliação da rede de saúde mental e a criação de políticas para idosos, mencionando o crescimento da demanda por casas de atenção ao idoso em comparação com creches. Ele observou que "Hoje tem mais pedido de casa de atenção ao idoso do que de creche".
Quanto à organização das filas do SUS, o plano propõe a adoção de critérios clínicos que priorizem a gravidade dos casos, em vez de considerar apenas a ordem de entrada. A proposta inclui a criação de fila separada para pacientes oncológicos e a implantação de unidades especializadas e protocolos específicos para infarto e AVC.
O candidato também destacou a intenção de fortalecer a atenção básica e o papel das equipes de saúde da família, incentivando o acompanhamento contínuo da população e a realização de exames preventivos. Ele criticou a prática de evitar consultas médicas, afirmando que "No Brasil o cidadão tem que ser submetido aos seus exames periodicamente para não receber um diagnóstico que já é, infelizmente, impossível de ser tratado".
Por fim, o plano prevê a implementação de prontuários digitais integrados e o uso de inteligência artificial para evitar perda de informações, repetição de exames e falhas de comunicação entre unidades de atendimento, conectando unidades básicas de saúde a hospitais de maior complexidade.
Com informacoes de G1 Política.

