BTG indica ajuste fiscal como única via para queda sustentável da Selic
Durante o Macro Day 2026, realizado na segunda-feira (31), economistas do BTG Pactual reforçaram que a única condição para uma queda duradoura da Selic está ligada à trajetória das contas públicas.
Não é a primeira vez que o banco sinaliza a necessidade de mudança; já em 31/08, Esteves, do BTG, apontava uma oportunidade de ouro para reduzir a Selic a 7%.
Mansueto Almeida, economista‑chefe do BTG, ressaltou que o próximo governo enfrentará o desafio de conter as despesas obrigatórias diante de uma dívida pública preocupante. Ele destacou que, nos últimos quatro anos, o crescimento dos gastos federais superou o avanço do PIB, gerando pressão inflacionária em uma economia próxima do pleno emprego. Almeida citou a aprovação do teto de gastos em 2016 como exemplo de medida que rapidamente alterou as expectativas, ao ancorar o mercado e abrir espaço para o Banco Central iniciar um ciclo de cortes de juros.
Segundo Almeida, o arcabouço fiscal foi inicialmente bem recebido, mas episódios posteriores aumentaram as dúvidas sobre sua capacidade de controlar as despesas, contribuindo para a elevação dos juros reais de longo prazo.
O pesquisador macroeconômico Samuel Pessôa afirmou que o principal obstáculo para a queda estrutural dos juros é a política fiscal, e não a meta de inflação nem o desenho do regime do Banco Central. Ele recordou que, entre 1999 e 2005, com câmbio flutuante, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, descontado o risco‑país, chegou próximo de zero. Contudo, mesmo com a acumulação de reservas e a redução do risco, os juros brasileiros não acompanharam a mesma queda, gerando o que ele chamou de enigma dos juros altos no país.
Pessôa explicou que a dinâmica atual reflete sobretudo um excesso de demanda doméstica sobre a oferta, mantendo a pressão sobre os juros, e descartou a tese de que a meta de inflação seja excessivamente rígida, argumentando que atribuir os juros elevados ao regime de metas desvia o foco do problema fiscal.
No curto prazo, Tiago Berriel, sócio e head de Macro Research do BTG, observou que a atividade econômica já demonstra sinais de desaceleração, porém a deterioração das expectativas de inflação de longo prazo limita o espaço para cortes mais agressivos. Ele afirmou que o próximo corte de juros está previsto, mas há um caso sólido de pausa. Berriel acrescentou que o Banco Central ainda não pode confirmar que a inflação convergiu de forma consolidada para a meta e alertou para possíveis choques de oferta, como o Super El Niño, discussões sobre a jornada de trabalho e um eventual choque no preço do petróleo.
Em síntese, os economistas do BTG concluem que, sem controle das despesas obrigatórias e sem uma melhora consistente das contas públicas, a redução estrutural da taxa Selic permanecerá limitada.
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Com informacoes de Money Times.

