Brasil deve se posicionar para mineração em águas internacionais, afirma executivo da ISA

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 25/08/2026 10:40
Brasil deve se posicionar para mineração em águas internacionais, afirma executivo da ISA

Foto: via Valor Econômico

Um executivo da International Seabed Authority (ISA) declarou que o Brasil tem que se preparar para acessar recursos minerais no Atlântico Sul, ressaltando a necessidade de solicitar autorização prévia para a pesquisa e, posteriormente, para a exploração desses recursos, enquanto outras nações já avançam nesse mercado.

Ele apontou que a região contém reservas de cobre, zinco, ouro, prata, cobalto, níquel, manganês e terras raras, e enfatizou que o país deve iniciar imediatamente os estudos, delimitando áreas prioritárias para garantir a exploração futura.

O comentário foi feito durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (Exposibram 2026), realizado de 24 a 27 de agosto em Belo Horizonte, onde o executivo participou das discussões do primeiro dia do evento.

Na abertura, Gisele Salvador, diretora financeira da Alcoa, destacou que o cenário geopolítico está mais volátil e que, nesse contexto, governança e planejamento são essenciais para que as empresas operem com menor risco.

Grazielle Parenti, vice‑presidente executiva de sustentabilidade da Vale, comparou a necessidade de ação no setor mineral àquela vivida pelo agronegócio nas últimas décadas, afirmando que é preciso reconhecer o potencial, criar mecanismos de políticas públicas, estimular a inovação e desenvolver recursos para destravar esse potencial, além de reforçar que a descarbonização da mineração é inevitável e que o Brasil está bem posicionado graças à matriz energética renovável e às reservas de alta qualidade.

Leandro Chiardelli, CEO da Mineração Usiminas, citou como exemplo de descarbonização o investimento da empresa na produção de minério de ferro com alto teor de ferro, defendendo políticas públicas que incentivem a produção de ferro de alta qualidade e medidas que impeçam a importação descontrolada de aço a preços injustos.

Mariette Byisma, presidente de joint ventures na BHP, ressaltou que o atual cenário exige maior disciplina das empresas e o desenvolvimento de relações mais integradas entre companhias e governos, apontando ainda grandes oportunidades de crescimento impulsionadas pela demanda crescente de minerais para data centers, impulsionada pela inteligência artificial, e pela necessidade de fertilizantes para a produção de alimentos.

Anderson Barreto Arruda, Secretário Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, observou que o Brasil precisa de políticas públicas de longo prazo, tendo a defesa da soberania como diretriz, e afirmou que o país pode ser mais ambicioso ao densificar cadeias que antes eram inviáveis devido à baixa demanda, destacando a disposição do governo em debater essas questões com o setor privado.

Eduardo de Come, vice‑presidente da Ero Copper, criticou a legislação brasileira como defasada, dificultando o pleno desenvolvimento da mineração, citando especificamente a limitação de seis horas diárias para trabalhos subterrâneos em projetos de cobre como exemplo dessa restrição.

Com informacoes de Valor Econômico.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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