Bitcoin atinge maior cotação desde junho após EUA dobrar recompra de títulos longos

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 19/08/2026 14:40
Bitcoin atinge maior cotação desde junho após EUA dobrar recompra de títulos longos

Foto: via InfoMoney

Na quarta‑feira (19), o Bitcoin (BTC) registrou alta de 5,8% em 24 horas, cotando US$ 68.619, valor próximo ao marco de US$ 69 mil e o maior patamar desde o início de junho, segundo dados da CoinGecko.

O movimento ocorreu logo após o Tesouro dos Estados Unidos divulgar que aumentará ao menos duas vezes o teto das operações de recompra de títulos públicos de prazo mais longo. O limite por operação para papéis nominais de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos passa de US$ 2 bilhões para, no mínimo, US$ 4 bilhões. A medida entra em vigor em 9 de setembro e permanecerá até 4 de novembro, data em que será decidido se o volume ampliado será mantido, elevado ou reduzido.

O comunicado do Tesouro ressaltou que a decisão visa oferecer suporte de liquidez aos vencimentos longos, onde há demanda consistente dos participantes de mercado, evidenciada pelo volume expressivo de ofertas de qualidade recebidas nos leilões. O cronograma atualizado das operações será divulgado posteriormente.

O efeito sobre os juros foi imediato. O rendimento do Treasury de 30 anos recuou de 5,34% na terça‑feira para 5,192% nesta quarta, enquanto o de 10 anos caiu para 4,649%. A queda dos yields reduziu o custo de oportunidade de ativos que não pagam juros, como o Bitcoin, que também se beneficia de ouro, que avançou mais de 3,5% e cotava US$ 4.487 a onça‑troy.

Dados da CoinGlass, citados pela CoinDesk, apontam que US$ 1,3 bilhão em posições foram liquidadas entre 14h50 e 15h50 (horário UTC), sendo mais da metade em pares de Bitcoin. O Ethereum representou cerca de US$ 430 milhões dessas liquidações. Como grande parte das posições era vendida, a liquidação forçada obrigou os investidores a recomprar o ativo, intensificando a alta.

Outras criptomoedas acompanharam o movimento: o Ethereum subiu 9% e chegou a US$ 2.090; a Solana avançou 6,5%; e a XRP ganhou 6,9%, conforme a CoinGecko.

Para Geoff Kendrick, analista do Standard Chartered, o anúncio do Tesouro reforça a tese de que o fundo do ciclo já ficou para trás. Em relatório enviado ao Cointelegraph, ele destacou que o nível técnico decisivo era US$ 65,5 mil e que a superação desse patamar confirmaria a mínima do ciclo. Kendrick recomenda que os investidores se posicionem para uma trajetória rumo a US$ 100 mil até o fim de 2026 e descreve a decisão do Tesouro como “exatamente o tipo de coisa que o Bitcoin adora”, referindo‑se ao histórico do ativo de se beneficiar de intervenções de liquidez governamental e à sua oferta fixa.

No acumulado de sete dias, o Bitcoin acumulou alta de 8,1%, com valor de mercado de US$ 1,377 trilhão e volume negociado de US$ 30,2 bilhões nas últimas 24 horas. Ainda assim, a criptomoeda permanece cerca de 46% abaixo do recorde histórico de US$ 126.080 registrado em 6 de outubro de 2025.

O próximo teste para o mercado será em 4 de novembro, quando o Tesouro decidirá o futuro da capacidade ampliada de recompra. Até lá, analistas acompanharão a evolução dos yields de 30 anos e se a recuperação nas bolsas e no Bitcoin se mantém sustentada.

Com informacoes de InfoMoney.

Tainá Ribeiro Alves

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