Bianca Andrade revela diagnóstico de pielonefrite e explica diferenças entre infecção urinária e doença renal
Bianca Andrade, influenciadora e empresária conhecida como Boca Rosa, utilizou as redes sociais nesta quarta‑feira, 19, para divulgar que sofreu uma infecção urinária que, sem tratamento, avançou para pielonefrite, inflamação que atinge um ou ambos os rins.
A influenciadora explicou que não sentiu dor nem ardência ao urinar, manteve a rotina normalmente e só procurou ajuda médica ao apresentar dor nas costas e febre.
Pielonefrite é uma infecção bacteriana que acomete os rins; na maioria dos casos ela se inicia na bexiga e, se não tratada, as bactérias sobem pelo trato urinário até alcançar os rins.
Além da falta de tratamento, fatores como baixa imunidade, infecções recorrentes e alterações que dificultam o fluxo da urina – como pedras nos rins e aumento da próstata – podem favorecer a progressão, segundo a nefrologista Melissa Fernanda Pinheiro, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo.
Melissa aponta que a Escherichia coli, bactéria naturalmente presente no intestino, é responsável por até 90% dos casos de infecção urinária.
Por atingir os rins, a condição requer atenção especial, já que a bactéria pode chegar à corrente sanguínea provocando infecção sistêmica grave; contudo, quando identificada e tratada precocemente, a maioria dos pacientes tem boa evolução.
Quando a infecção está restrita à bexiga – quadro chamado cistite – os sintomas mais comuns são ardência ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro, eliminação de pequenas quantidades de urina e dor na parte baixa da barriga; a urina pode ficar avermelhada ou turva, informa Melissa. Ela ainda ressalta a existência da bacteriúria assintomática, condição em que bactérias estão presentes na bexiga sem causar sintomas, mais frequente em mulheres, gestantes, diabéticos e pacientes que utilizam sonda urinária continuamente.
Ao alcançar os rins, os sinais costumam mudar: febre e dor lombar são os mais característicos, podendo acompanhar calafrios, mal‑estar, náuseas e vômitos. Os sintomas típicos de cistite podem persistir, conforme o nefrologista José Moura Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). A febre ajuda a diferenciar os dois quadros, pois é rara em cistite e, quando ocorre, costuma ser de baixa intensidade; a combinação de febre alta com dor lombar indica provável envolvimento renal e demanda avaliação médica, alerta Melissa.
A presença de bactérias nos rins aumenta o risco de que elas entrem na circulação, desencadeando bacteremia. Saulo Couto, nefrologista do Hospital Infantil Darcy Vargas, administrado pelo Einstein Hospital Israelita, explica que a resposta imunológica pode causar queda de pressão, aceleração dos batimentos cardíacos e, se não controlada, evoluir para sepse, choque séptico e comprometimento de múltiplos órgãos. Outras complicações possíveis incluem abscesso renal, acúmulo de pus no rim e cicatrizes renais; contudo, o especialista enfatiza que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado costumam garantir boa evolução.
O diagnóstico inicia-se com a avaliação clínica de febre alta, calafrios, náuseas, vômitos e dor lombar. Exames complementares podem ser solicitados: análise de urina para detectar inflamação; urocultura com antibiograma para identificar a bactéria e definir o antibiótico mais eficaz; exames de sangue para avaliar a gravidade da infecção e a função renal; hemocultura quando houver suspeita de bacteremia; e exames de imagem, sendo a ultrassonografia dos rins e vias urinárias a mais utilizada para investigar obstruções, abscessos ou alterações estruturais. Em alguns casos, outros exames são necessários para verificar cicatrizes renais ou alterações no fluxo urinário.
O relato de Bianca Andrade evidencia a importância de reconhecer apresentações atípicas de infecções urinárias e buscar atendimento médico imediato ao surgirem sinais de alerta.
Com informacoes de Estadão.

