Bebê de 1 ano foi torturado por mãe de 20 e padrasto de 33 durante quatro meses em São João da Boa Vista

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 03/09/2026 02:20
Bebê de 1 ano foi torturado por mãe de 20 e padrasto de 33 durante quatro meses em São João da Boa Vista

Foto: via G1

Uma mulher de 20 anos e o companheiro de 33, padrasto da vítima, foram detidos na segunda‑feira (31) sob acusação de tortura e tentativa de homicídio qualificado contra um bebê de 1 ano, em São João da Boa Vista (SP). O casal permanece à disposição da Justiça após audiência de custódia realizada na terça‑feira (1).

Segundo o delegado Fabiano Antunes de Almeida, responsável pela apuração, laudos periciais descreveram um “cenário de terror” ao qual a criança foi submetida durante, no mínimo, quatro meses. As identidades dos investigados não foram divulgadas, e o processo tramita em segredo de justiça. A defesa alegou não ter tido acesso aos laudos que embasaram a prisão e afirmou que apresentará sua versão no decorrer do processo.

A polícia, por meio de depoimentos, documentos médicos, exames periciais e extração de dados de aparelhos celulares apreendidos, constatou múltiplas formas de violência física e psicológica, entre elas: a criança era trancada nua no banheiro e espancada com colher de pau; recebia medicamento de tarja preta para induzir o sono; era forçada a caminhadas durante a madrugada; tinha a cabeça submersa em água quente a cada cinco minutos; sofria aplicação constante de gelo para ocultar marcas; eram praticadas agressões nas nádegas, solas dos pés e mãos, usando a colher como palmatória; e era sufocada com toalha para impedir que vizinhos ouvissem o choro.

O episódio mais grave ocorreu em 19 de junho, quando o bebê sofreu traumatismo craniano severo, apresentando hematoma subdural e hemorragias retinianas extensas. O Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) socorreu a criança, que foi encaminhada à Santa Casa de São João da Boa Vista com nível de consciência drasticamente reduzido, evoluindo para parada cardiorrespiratória. O menor foi então transferido para a Unidade de Terapia Intensiva de um hospital em Campinas, onde permaneceu internado por um mês.

Após alta hospitalar, o bebê ficou sob os cuidados do pai, que relatou ter chorado intensamente ao tomar conhecimento da situação. Durante a busca preliminar na residência do casal, os peritos verificaram incompatibilidade entre a alegação de queda da cama e as fraturas encontradas na cabeça da criança, confirmando a gravidade do trauma.

Além dos dispositivos eletrônicos, a polícia apreendeu uma arma de choque, algemas, uma arma falsa e outros objetos que poderiam ter sido usados nas agressões. Mensagens extraídas dos celulares dos suspeitos indicam tentativas de enforcamento e submersão da criança em bacia com água.

O delegado informou que ainda há material a ser analisado em outros aparelhos apreendidos, que exames periciais do apartamento ainda serão concluídos e que novas oitivas e interrogatórios do casal estão previstos para elucidar pontos ainda pendentes da investigação.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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