Banco Central vê inflação desacelerando, mas aponta pressão do petróleo e gastos públicos
O Banco Central observou nesta semana que a inflação para os consumidores desacelerou nos últimos meses, embora ainda permaneça acima da meta, e apontou que há pressão dos gastos públicos e de choques de oferta, como a alta do petróleo — decorrente da guerra no Oriente Médio.
As análises constam na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros da economia brasileira foi reduzida para 14% ao ano — no quarto corte seguido.
Em termos reais, porém, o juro brasileiro ainda é o maior do mundo, segundo levantamento da MoneYou. No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
A autoridade monetária não indicou o que poderá fazer na próxima reunião do Copom, marcada para 15 e 16 de setembro, deixando a porta aberta para tomar a decisão somente nos dias do encontro — com base nos últimos indicadores da economia.
O BC acrescentou que o cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, com as expectativas de inflação para os próximos anos acima da meta (central de 3%) e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.
O Banco Central informou, na ata da última reunião do Copom, que há evidências de que a política de juros altos, implementada nos últimos anos, apesar dos cortes recentes da taxa Selic, estejam surtindo efeito sobre a inflação — que tem mostrado desaceleração.
O BC apontou, também, que a chamada política fiscal (relativa aos gastos públicos) tem um impacto de curto prazo na inflação, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada (pressionando a taxa de juros). Avaliou, ainda, que o aumento de gastos tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros.
O Banco Central avaliou, também, que a política de gastos públicos não é a única a pressionar a inflação corrente e as expectativas para os próximos anos. Segundo a instituição, choques de oferta, como o aumento do preço do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio, por exemplo, também têm impactado para cima os preços.
Com informacoes de G1.

