Banco do Brasil Apresenta Resultado Pior que o Esperado, Ação Desaba e Chega a Mínima
O Banco do Brasil (BBAS3) deve apresentar mais um trimestre de resultados pressionados pela deterioração da carteira de crédito rural, mantendo os analistas cautelosos em relação à recuperação dos lucros.
Embora a Medida Provisória 1.376/2026, que prevê a renegociação de dívidas rurais, possa ajudar a reduzir a pressão sobre o banco, seus efeitos ainda devem demorar a aparecer no balanço.
O Bank of America (BofA) projeta lucro líquido de cerca de R$ 3,6 bilhões para o segundo trimestre de 2026, queda de 3% na comparação anual.
O resultado representa ainda uma retração de 7% ante o primeiro trimestre.
Ao mesmo tempo, o BofA espera que o resultado antes de impostos fique abaixo das estimativas, principalmente devido a despesas com provisões maiores do que o esperado.
O crescimento da carteira de crédito também deve permanecer em um dígito baixo, refletindo a fraca concessão de empréstimos no segmento rural e a desaceleração do consumo.
O cenário do agronegócio continua sendo um dos principais obstáculos para o Banco do Brasil.
Dados mais recentes da Serasa mostram que a inadimplência da população rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior e de 0,6 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.
Nas projeções do BofA, as despesas com provisões devem ficar acima das expectativas diante da deterioração contínua da carteira rural, em linha com os dados mensais do Banco Central, e da espera dos produtores pela regulamentação das medidas de renegociação das dívidas.
As receitas de tarifas e serviços também devem permanecer fracas, com crescimento abaixo da inflação.
Do lado das despesas, os custos operacionais podem continuar pressionados, inclusive pelos encargos relacionados às provisões.
Para o segundo trimestre, o BTG Pactual espera que as despesas com provisões permaneçam em níveis semelhantes aos registrados no primeiro trimestre, enquanto as perdas de crédito devem caminhar para o teto do guidance divulgado pelo banco.
A implementação da MP 1.376/2026 ainda depende de regulamentação complementar do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Ministério da Fazenda.
Para o BTG, a iniciativa é positiva porque reduz a incerteza no setor, melhora o fluxo de caixa dos produtores elegíveis e pode diminuir o chamado risco moral, em que devedores adiam pagamentos na expectativa de um programa de socorro do governo.
Ainda assim, a recuperação não deve ser imediata.
O BTG mantém recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil, com preço-alvo de R$ 25.
Com informacoes de Money Times.

