Astrônomos Descobrem Buraco Negro Gigante Vagando pela Galáxia
A equipe de astrônomos da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill identificou um buraco negro supermassivo vagando pela região externa de uma galáxia, a cerca de 30 mil anos-luz de seu núcleo. A descoberta foi feita a partir de um raro fenômeno em que uma estrela foi destruída pela intensa gravidade do objeto.
O evento, chamado TDE 2025abcr, chamou a atenção por ocorrer em uma área onde normalmente esses fenômenos não são observados. A pesquisa, publicada no The Astrophysical Journal Letters, indica que o buraco negro pode ter sido deslocado após uma colisão entre galáxias ou por interações gravitacionais extremas.
A identificação só foi possível graças a uma combinação de análise por inteligência artificial e observações feitas com telescópios terrestres. O resultado oferece uma nova maneira de localizar buracos negros que permanecem invisíveis durante a maior parte de sua existência.
Os pesquisadores chegaram ao buraco negro ao acompanhar um clarão conhecido como evento de ruptura por maré, fenômeno que acontece quando uma estrela se aproxima demais de um buraco negro e acaba despedaçada pela força gravitacional.
O material destruído aquece enquanto gira ao redor do objeto, produzindo uma emissão de luz detectável a grandes distâncias. Esses eventos são considerados extremamente incomuns e ocorrem, em média, uma vez a cada 100 mil anos em uma galáxia.
A diferença no caso do TDE 2025abcr foi justamente sua localização. O fenômeno ocorreu próximo às bordas da galáxia WISEA J014656.04-152214.7, tornando-se o evento desse tipo descoberto em luz visível com maior afastamento já registrado em relação ao centro galáctico.
O buraco negro responsável pelo brilho temporário foi estimado em aproximadamente um milhão de vezes a massa do Sol. Os cientistas avaliam que ele pode ser um remanescente de uma antiga fusão entre galáxias ou ter sido lançado para longe do núcleo galáctico após interações com outros buracos negros.
A busca pelo fenômeno também contou com uma ferramenta de inteligência artificial chamada tdescore, criada por Robert Stein, da Universidade de Maryland e da NASA Goddard. O sistema analisou grandes volumes de dados astronômicos para encontrar candidatos promissores, sem depender da ideia tradicional de que esses eventos só ocorreriam no centro das galáxias.
Os autores do estudo consideram que o resultado demonstra, pela primeira vez com evidências robustas, que telescópios terrestres capazes de observar luz visível podem encontrar buracos negros deslocados das regiões centrais das galáxias.
Com informacoes de Olhar Digital.

