Ascensão de Augusto Cury preocupa rivais ao buscar romper a polarização e contestam disparada nas redes
O levantamento da Quaest, que agrega resultados de sete plataformas digitais e avalia presença nas redes, reações positivas e negativas e engajamento, mostrou que, na semana passada, Augusto Cury passou da sétima para a quarta posição no ranking de popularidade digital, ficando atrás apenas de Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT) e Renan Santos (Missão).
O crescimento é perceptível no alcance das publicações do candidato: um corte da participação de Cury no debate da Band, publicado há seis dias, soma 21,2 milhões de visualizações e 1,3 milhão de curtidas no Instagram; já o jingle da campanha alcançou 12 milhões de visualizações e 584 mil curtidas em quatro dias.
Além das idas a debates e sabatinas, o movimento ganhou força com vídeos favoráveis à candidatura publicados por influenciadores e personalidades. Um dos nomes que mais tem se aproximado do escritor é Pablo Marçal, ex‑coach, que comandava o programa “Marçal Talks” e passou a elogiar o presidenciável. Outras figuras de alcance superlativo nas redes que manifestaram apoio ao psiquiatra incluem o comentarista político Caio Coppolla, os cantores Nego do Borel e Manoel Gomes e os influenciadores Yuri Meirelles e Raphael Soares. Geralmente, os vídeos incluem menção a algum livro de Cury, seguida de uma análise do que motiva a declaração de voto nele.
Como mostrou o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, campanhas adversárias levantam a possibilidade de robôs estarem inflando os números do escritor nas redes. A Quaest, no entanto, afirma que o IPD identifica e exclui esses perfis do cálculo.
Nas últimas pesquisas desses institutos, a performance de Cury nas sondagens foi tímida: Cury marcou 2 % tanto na Quaest quanto no Datafolha, atrás dos demais candidatos que tentam ser alternativas a Lula e Flávio.
— Nossa leitura é que as pesquisas da semana vão trazer o doutor Augusto em terceiro — afirmou o ex‑deputado federal Júlio Delgado (Avante), candidato a vice na chapa do psiquiatra. — Estamos consolidando essa posição de tentar encontrar um buraquinho na bolha da polarização.
No Avante, a chegada de Cury foi vista como um “ganha‑ganha”. Se o escritor, que conta com milhões de seguidores, conseguir uma legenda para disputar o Planalto, o partido ganha um nome forte para impulsionar também a votação de deputados, prioridade número um na cabeça de dirigentes de partidos pequenos e médios. É com base no desempenho para a Câmara que se alcança ou não a cláusula de barreira — que determina, na prática, se uma sigla consegue sobreviver nos quatro anos seguintes.
Hoje, com a tendência de crescimento do candidato, o partido se anima, mas também faz observações internas para tentar corrigir o que ainda considera lacunas de Cury. Uma delas é o “tom professoral”, que precisaria ser trocado por um linguajar mais palatável. Exemplo bem‑sucedido, segundo um aliado, foi a agenda que teve no sábado na favela da Rocinha, no Rio. O candidato, inclusive, tem como jingle uma adaptação do “Rap da felicidade”, clássico carioca cuja letra do refrão estampou na camiseta que usou durante a visita à favela: “Eu só quero é ser feliz”.
Entende‑se na campanha que, com a aparição na TV — seja em entrevistas ou no horário eleitoral —, as pessoas passaram a associar o escritor Augusto Cury ao candidato Augusto Cury. Ele se orgulha de ser “o psiquiatra mais lido do mundo”, com mais de 40 milhões de livros vendidos em cerca de 70 países. A obra literária inclui livros de ficção, como “O vendedor de sonh”.
Com informacoes de O GLOBO.

