Arábia Saudita busca apoio chinês para conter avanço dos houthis no Mar Vermelho após recusa militar dos EUA
Sem apoio militar dos Estados Unidos, a Arábia Saudita recorreu à China para tentar pressionar o Irã a limitar a expansão dos houthis no Mar Vermelho, segundo informações de agências.
A China, principal parceira comercial do Irã há mais de dez anos e responsável por cerca de 80 % das exportações de petróleo iraniano, tem defendido publicamente a moderação, o diálogo e a restauração da segurança da navegação. Fontes indicam que, em mensagem privada dirigida a Teerã, Pequim teria ido além das declarações públicas. As fontes não esclareceram o canal usado nem se a mensagem foi transmitida durante a visita do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, à China, na quarta‑feira.
Em resposta, Teerã teria afirmado que a estabilidade e a paz regional dependem do fim da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. As autoridades chinesas não fizeram ameaças explícitas nem anunciaram intenção de aplicar pressão econômica caso o Irã não utilizasse sua influência sobre os houthis.
O Ministério das Relações Exteriores da China, ao ser consultado pela Reuters, declarou que não deseja que as tensões regionais se ampliem para o Iêmen e o Mar Vermelho, ressaltando que a escalada “não interessa a nenhuma das partes”. O comunicado enfatizou que a soberania e a segurança de todos os países devem ser respeitadas, que instalações vitais para a subsistência da população não devem ser alvejadas e que a China apela ao fim das ações que complicam ainda mais a situação, incentivando a resolução por meio do diálogo e da negociação.
Um diplomata de alto escalão da região afirmou à Reuters que Pequim é uma das poucas capitais que ainda podem exercer pressão sobre o Irã para conter os houthis.
No último domingo, representantes dos houthis se reuniram com autoridades americanas na Embaixada dos Estados Unidos em Omã. Durante o encontro, o grupo declarou que deixaria de atacar navios israelenses, americanos e quaisquer embarcações comerciais, exceto aqueles pertencentes à Arábia Saudita.
O conflito no Iêmen já deslocou cerca de 125 mil pessoas, enquanto os houthis avançam pela costa e lançam ataques contra a Arábia Saudita, que prometeu retaliação. Quando questionado sobre a reunião, um porta‑voz do Departamento de Estado dos EUA não confirmou a ocorrência, mas ressaltou que “preservar a liberdade de navegação no Mar Vermelho e impedir a exportação de terrorismo do Oriente Médio são interesses fundamentais dos Estados Unidos”.
Na sexta‑feira anterior ao encontro em Mascate, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os rebeldes solicitaram a Washington que não interviesse no conflito iemenita – pedido que teria sido ratificado pelo vice‑presidente JD Vance na segunda‑feira. Em entrevista à imprensa na Irlanda, Trump declarou: “Eles nos ligaram e não querem lutar contra nós… Eles não querem que vamos atrás deles.”
O governo americano tem mantido o foco na proteção de interesses estratégicos, como garantir a liberdade de navegação no Mar Vermelho, ao mesmo tempo em que fortalece parceiros regionais para que assumam a liderança na gestão e resolução dos desafios de segurança.
Em março de 2023, a administração Trump classificou os houthis como “organização terrorista estrangeira”. Apesar da designação, os EUA negociaram com o grupo, alcançando um cessar‑fogo dois meses depois. Durante esse período, forças americanas bombardearam alvos dos houthis para interromper a campanha de ataques a navios no Mar Vermelho.
Na semana passada, os rebeldes assumiram o controle efetivo de toda a costa do Mar Vermelho no Iêmen, incluindo o porto histórico de Mocha e a ilha de Perim, situada no estratégico Estreito de Bab el‑Mandeb.
Com informacoes de O GLOBO.

