Adoçantes artificiais podem alterar metabolismo e afetar gerações futuras, aponta estudo em camundongos

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 08/09/2026 21:40
Adoçantes artificiais podem alterar metabolismo e afetar gerações futuras, aponta estudo em camundongos

Foto: via CNN Brasil

Um estudo recente investigou os efeitos a longo prazo do consumo de adoçantes artificiais em camundongos, revelando que as substâncias podem aumentar a vulnerabilidade a doenças metabólicas e transmitir essas alterações para gerações futuras.

A pesquisa, liderada pela Dra. Francisca Concha Celume, da Universidade do Chile, foi publicada na revista Frontiers in Nutrition. O trabalho analisou 47 camundongos, machos e fêmeas, divididos em três grupos: um recebeu água pura, outro água contendo sucralose e o terceiro água contendo estévia, em doses equivalentes ao consumo humano em uma dieta normal.

Após a exposição inicial, os animais foram reproduzidos por duas gerações consecutivas, sendo que as gerações filhas e netas receberam apenas água pura. Todas as gerações foram submetidas a teste de tolerância oral à glicose para avaliar resistência à insulina, além da coleta de amostras fecais para analisar alterações no microbioma intestinal e na concentração de ácidos graxos de cadeia curta, indicadores de possíveis mudanças epigenéticas transmissíveis.

Os pesquisadores também mensuraram a expressão de cinco genes relacionados à inflamação, à função da barreira intestinal e ao metabolismo hepático e intestinal, visando mapear potenciais influências epigenéticas nos processos inflamatórios e metabólicos.

Os resultados mostraram diferenças entre os adoçantes e variações ao longo das gerações. Na primeira geração, apenas os filhotes machos dos camundongos que consumiram sucralose apresentaram piora na tolerância à glicose. Na segunda geração, a elevação da glicose foi observada nos descendentes machos dos sucralose e nas descendentes fêmeas dos que consumiram estévia.

Ambos os adoçantes reduziram a produção de substâncias benéficas pelas bactérias intestinais, efeito que se manteve nos filhos e netos. Contudo, a sucralose provocou impactos maiores e mais duradouros, aumentando a presença de bactérias nocivas, estimulando a expressão de genes inflamatórios e desacelerando o metabolismo por duas gerações. A estévia gerou um impacto mais leve, limitado a uma geração.

Em termos de expressão gênica, a sucralose aumentou a atividade de genes ligados à inflamação e diminuiu a de genes associados ao metabolismo, efeitos observados durante duas gerações. A estévia também alterou a expressão gênica, porém com magnitude menor e sem transmissão para a segunda geração.

A equipe enfatiza que os efeitos observados em camundongos não podem ser extrapolados diretamente para humanos. O objetivo do estudo não é gerar alarmismo, mas destacar a necessidade de investigações adicionais sobre os efeitos biológicos de longo prazo dos adoçantes não nutritivos. A pesquisadora sugere que a moderação no consumo desses aditivos pode ser uma medida prudente enquanto novas evidências são produzidas.

Com informacoes de CNN Brasil.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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