Abel Ferreira se retrata por fala polêmica, exalta Vitor Roque e projeta futuro do Palmeiras após vitória sobre a LDU
Após a vitória do Palmeiras sobre a LDU, que garantiu a classificação para as quartas de final da Libertadores, o técnico Abel Ferreira abordou as críticas recebidas por uma declaração feita na coletiva de imprensa depois do empate 0 x 0 entre Botafogo e Palmeiras, no último fim de semana, no Brasileirão.
Na ocasião, o treinador português havia dito aos torcedores para "desfrutarem, pois o Palmeiras vive sua melhor fase da história", comentário que não foi bem aceito pela torcida.
Na quarta‑feira, Abel reconheceu que se expressou mal, reforçou o respeito ao Palmeiras e fez um longo desabafo: "Eu fui ver o que tinha dito depois de um jogo intenso, em que muitas coisas aconteceram, eu estava alterado. O verdadeiro palmeirense sabe o que é ter o coração ao pé da boca. Não vou dizer ao palmeirense o que é ser palmeirense. Às vezes, o palmeirense diz aquilo que não sente. Quando eu vi o que falei, não gostei do que vi. Mas sou casado com minha mulher há 20 anos e, às vezes, falo o que não devo. Mas ela me conhece, e mais do que eu falo, é o que eu faço para merecer o respeito. Mais do que palavras são as atitudes que nós temos. Quando os torcedores dizem que eu sou um deles, muitas vezes também tenho o coração ao pé da boca e não falo o que sinto. Mas posso dizer que não fui muito claro, não me expressei bem. Tudo que faço é o melhor que eu posso com os recursos que eu tenho para ajudar o Palmeiras. Respeito muito a história do Palmeiras, eu amo estar no Palmeiras. A história do Palmeiras é igual a minha, feita de trabalho, sacrifícios e resiliência. Foi assim que o Palmeiras foi fundado, e eu cheguei onde cheguei através do meu trabalho."
O treinador também destacou que, quando deixar o clube, o Palmeiras continuará tendo sucesso: "Quando eu cheguei ao Palmeiras, encontrei um relógio preparado, e eu trouxe a pilha. O que é mais importante: o relógio ou a pilha? Os dois. Portanto, respeito muito a história do Palmeiras. O Palmeiras venceu, está a vencer e continuará vencendo no dia que eu deixar o clube. Para mim, é um orgulho muito grande poder fazer parte da história do Palmeiras. Foi isso que eu quis dizer. Um dia deixarei o clube, mas serei eternamente grato a tudo que o clube me proporciona."
Sobre o confronto contra a LDU, Abel acreditou que o Verdão poderia ter marcado mais gols para garantir vantagem maior no jogo de volta, previsto para a próxima quarta‑feira (16), no Equador. Em caso de empate no placar agregado, a decisão será nos pênaltis. "Eu falo das que eu contei, mas se for juntar todas as 11 oportunidades que tivemos, o repertório da nossa equipe foi muito bom, pela forma que criamos. Podíamos ter feito mais um ou dois gols em função do volume que criamos. Hoje tivemos um jogo coletivo formidável pelas oportunidades que nós criamos, mas não conseguimos fazer mais do que um gol."
Abel elogiou a atuação de Vitor Roque, ressaltando a evolução do atacante após críticas feitas publicamente após a partida contra o Mirassol, quando o camisa 9 foi cobrado a recuperar a forma física e ficou no banco nos dois jogos seguintes. "Nossa dinâmica hoje funcionou mais pela direita do que pela esquerda. Mas não podemos nos esquecer que hoje vimos um Vitor Roque muito melhor, mais parecido com o que são as características dele. Infelizmente, há coisas que não tem como comprar. Por mais que o núcleo de performance seja bom, há coisas que têm a ver com a fisiologia. A performance dos jogadores quando voltam de cirurgia não tem como voltar de um dia para o outro e pegar o ritmo em um ou dois jogos."
Abel explicou ainda a decisão de fazer apenas uma substituição na partida: Vitor Roque sentiu cãibras no final e foi substituído por Heittor. O técnico negou que a mudança fosse um recado para solicitar reforços ao elenco, afirmando que agiu pelo melhor da equipe: "Eu faço aquilo que eu acho que é o melhor para a equipe. A equipe estava com boa dinâmica e foi até o fim para tentar fazer o segundo gol. Só tirei o Roque porque estava completamente desgastado. Se vocês quiserem criar narrativas, podem falar que fiz isso para mandar recado. O treinador não passa recado a ninguém, porque tem contato direto com o Barros e com a Leila. Já trabalhamos há muito tempo."
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Imagem: MARINA UEZIMA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO.
Imagem: YURI MURAKAMI/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO.
Com informacoes de UOL.

