A Casa do Dragão: por trás das cenas da série de fantasia
A Casa do Dragão, que encerra sua terceira temporada, dedicou-se consideravelmente a explorar as agruras do poder. Rhaenyra tomou posse do Trono de Ferro, mas descobriu que governar era mais desafiador do que esperava — especialmente em tempos de guerra e de vacas magras.
Entre intrigas palacianas, conspirações e agitação popular, a série passou mais tempo do que nunca na Fortaleza Vermelha e em seus arredores, incluindo a Baixada das Pulgas, lar dos plebeus de Porto Real. O set da produção foi visitado em julho de 2025, quando a terceira temporada estava sendo filmada, e pôde conhecer de perto os segredos da vida dos Targaryen no palácio.
O diretor de arte, Jim Clay, conduziu o tour e explicou que os sets do interior da Fortaleza Vermelha se espalham por mais de um galpão dentro do complexo dos Estúdios Leavesden. Eles foram os primeiros a serem construídos para A Casa do Dragão, em um trabalho que levou cerca de seis meses e começou quando o mundo ainda lidava com a pandemia de covid-19.
Clay teve liberdade para fazer algumas mudanças em relação à forma como a Fortaleza foi retratada em Game of Thrones. “Mudamos um pouco a arquitetura e as proporções, porque fomos abençoados com um orçamento maior do que eles tinham quando começaram”, explicou. Com isso em mente, transformou o palácio em um espaço parlamentar, e não apenas familiar.
Sua inspiração foi a corte do rei Henrique VIII, cujo reinado foi marcado por execuções daqueles que considerava traidores: “Pensei na paranoia que cerca esses ambientes.” E sim, os sets tiveram que ser construídos do zero. “Não usamos nada [de Thrones], à exceção de alguns objetos; a maior parte foi desmontada, porque houve um intervalo considerável entre o fim da série anterior e o início desta.
Uma vez dentro dos cenários, é difícil não se impressionar com as paredes vermelhas e a escadaria imponente que leva à vista do pátio interno do palácio e à câmara do Pequeno Conselho, palco de cenas importantes da trama. O cômodo abriga um dos detalhes mais interessantes do local: uma pintura em tecido que representa a vista da cidade de Porto Real.
A paisagem foi inspirada na Croácia, que serviu de locação para muitas cenas externas de Game of Thrones, e traz até um marco importante da cidade fictícia: o Fosso dos Dragões. A obra, que exigiu quatro semanas de trabalho, é um recurso para tomadas em que o fundo está mais distante das câmeras; quando os personagens se aproximam do que seria a janela do cômodo, porém, ela é substituída por uma tela azul, que depois dá lugar a um cenário inserido digitalmente.
Tratando-se de uma história centrada nos Targaryen, os dragões são parte fundamental da decoração — “mas sem exagero”, acrescentou Clay. Há muitas velas, que o diretor de arte afirma representarem “um dos maiores gastos” do departamento. Até folhas secas foram colocadas estrategicamente em certas áreas para ajudar a ilustrar a deterioração da Fortaleza.
Um dos xodós dos fãs da série, a maquete de Valíria à qual se dedicava o falecido Rei Viserys impressiona ainda mais pessoalmente, tamanha a delicadeza de seus detalhes. Além disso, a Fortaleza e demais cenários abrigam diversos outros objetos e móveis feitos ou personalizados especificamente para a produção por uma equipe de cerca de 300 artesãos.
Do lado de fora dos galpões, há uma grande área dedicada aos sets externos, como a entrada do castelo e o seu Bosque Sagrado, lar da árvore-coração e de suas folhas avermelhadas. O grande destaque do espaço, contudo, fica por conta de duas oliveiras imponentes que têm mais de 300 anos, de acordo com Clay. Cuidadas pela equipe de jardinagem da produção, elas precisam ser cobertas para sobreviver aos invernos britânicos.
Com informacoes de Estadão.

