Zélia Amador de Deus, referência da luta antirracista na Amazônia, morre aos 74 anos no Pará

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 08/09/2026 19:41
Zélia Amador de Deus, referência da luta antirracista na Amazônia, morre aos 74 anos no Pará

Foto: via G1

Zélia Amador de Deus, uma das principais referências da luta antirracista no Brasil, morreu aos 74 anos nesta terça-feira (8) em Belém, Pará.

Nascida em uma fazenda na Ilha do Marajó, foi criada pelos avós em Belém depois que sua mãe, que engravidou aos 15 anos, trabalhou como empregada doméstica.

Em entrevista ao G1, Zélia ressaltou que a educação foi decisiva para mudar sua trajetória, lembrando o incentivo da avó: “tu és preta, mas não baixa tua cabeça”. Estudou em escolas públicas de Belém, chegou a dar aulas particulares para colegas para pagar passagens de ônibus, ingressou na universidade, concluiu o doutorado em Ciências Sociais e tornou‑se professora da Universidade Federal do Pará (UFPA).

A militância começou na juventude, com participação em manifestações políticas e, no fim da década de 1970, acompanhou a reorganização do movimento negro no Brasil.

Em 1980, ajudou a fundar o Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e, posteriormente, o Grupo de Estudos Afro‑Amazônicos (GEAM‑UFPA). Também presidiu a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e atuou na articulação pela implantação do sistema de cotas para pessoas negras nas universidades públicas.

Em 2001, integrou a comissão brasileira na Conferência Mundial contra o Racismo da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Durban, África do Sul, mobilizando ações afirmativas no país e retornando ao Brasil para cobrar políticas de cotas nas universidades públicas.

Zélia foi uma das pioneiras na defesa das ações afirmativas como eixo central de sua atuação, destacando que a população negra enfrenta desigualdades em saúde, educação, perspectiva de vida e demais esferas.

Em 2019 recebeu o título de professora emérita da UFPA. Em 2021 foi homenageada pelo Prêmio de Direitos Humanos da BrazilFoundation, cerimônia realizada em Nova York, e teve sua história transformada no documentário “Amador, Zélia”. Também foi tema de samba‑enredo da escola de samba Os Colibris, de Belém.

Em 18 de agosto de 2024, menos de um mês antes de sua morte, participou do plantio de um baobá em sua homenagem no Campus Guamá da UFPA, simbolizando ancestralidade e memória.

Segundo informações preliminares, Zélia fazia tratamento contra câncer de mama. Na tarde da terça‑feira, sentiu mal-estar, foi levada a um hospital e faleceu. A família não divulgou detalhes sobre o quadro de saúde nem a causa exata da morte. O velório será realizado no Teatro Waldemar Henrique, a partir das 22h.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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