Xuxa, a Liberdade de Envelhecer e a Hipocrisia da Sociedade
A cantora Xuxa voltou aos palcos com sua turnê 'O Último Voo da Nave' e lotou os estádios com sua presença. No entanto, o que chamou a atenção foi o seu gesto de liberdade ao se jogar nos palcos novamente, esquecendo a idade e a hipocrisia da sociedade.
Com 63 anos, Xuxa decidiu rasgar a regra implícita de que as mulheres devem se recolher aos domínios privados após envelhecer. Ela colocou o mesmo colã de antes e reuniu suas paquitas para fazer seu Xou, convidando a audiência para dançar com ela.
O que incomoda tanta gente a respeito dessa iniciativa é a liberdade esfregada em nossas caras do corpo feminino envelhecido. Há milhares de anos as sociedades se organizam para cortar a liberdade de corpos femininos, dizendo que o estado "natural" de uma mulher é dentro de casa cuidando do lar.
No entanto, se esse fosse nosso estado natural, não seria preciso criar tanta lei para nos manter confinadas. A natureza daria conta de tudo. O Xou da Xuxa dos anos 80 e 90 tinha problemas que hoje são muito evidentes, como a ultrassexualização da mulher para entreter crianças e seus pais, e a branquitude hegemônica.
Xuxa lotou o estádio e chorou ao falar do ódio que está recebendo. No segundo show, ela escondeu sua virilha, que tanto furor causou na primeira apresentação. A colunista critica a hipocrisia de um moralismo público que aceita a sexualização de uma Xuxa jovem, mas cobra recolhimento na velhice.
A sociedade aceita a sexualização de uma Xuxa jovem, mas cobra recolhimento na velhice, como se o lugar "natural" da mulher fosse o lar. Xuxa, com a coragem de se jogar novamente nos palcos, decidiu rasgar essa regra implícita e mostrar a sua liberdade.
A colunista afirma que o que vemos hoje é feito do mesmo material que aceitou o corpo de 23 anos de colã entretendo crianças. Chama-se machismo e misoginia. O machismo é a estrutura e a misoginia é a ideologia. O segundo coloca em circulação e o primeiro dá os contornos.
Xuxa, assim como Madonna, decidiu rasgar essa regra implícita em nossas consciências. Teve a coragem de se jogar outra vez nos palcos e convidar sua audiência para dançar com ela. Colocou o mesmo colã de antes, reuniu suas paquitas e foi fazer seu Xou.
Essa é a estrutura masculinista do poder. Dentro de uma sociedade erguida sobre essas imensas colunas de hipocrisia, o ódio corre solto e fala alto, mas o amor, que fala sempre mais baixo, ainda é maior. Se não fosse, não estaríamos mais aqui.
Com informacoes de UOL.

