Vice-prefeito de Itaúna continua recebendo salário de R$ 11,258.21 mesmo sem exercer funções desde setembro de 2025

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 30/08/2026 12:20
Vice-prefeito de Itaúna continua recebendo salário de R$ 11,258.21 mesmo sem exercer funções desde setembro de 2025

Foto: via G1

Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto, vice-prefeito do município de Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais, permanece com o pagamento mensal de R$ 11.258,21, conforme a folha de pagamento disponível no Portal da Transparência, embora não exerça atividades presenciais na prefeitura desde 15 de setembro de 2025.

O afastamento ocorreu após o político se tornar alvo da Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025, que investiga um suposto esquema de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais.

Em outubro de 2025, a Prefeitura de Itaúna anunciou a suspensão do subsídio do vice-prefeito, com efeito a partir de 1º de outubro, alegando ausência injustificada desde 15 de setembro e ausência de comunicação oficial sobre previsão de retorno. A medida foi apresentada como preventiva e cautelar, ressaltando que o pagamento de agentes políticos pressupõe o efetivo exercício das funções públicas.

No mês de janeiro de 2026, a Câmara Municipal de Itaúna declarou a vacância do cargo de vice-prefeito, fundamentando a decisão na ausência prolongada do titular por período superior a 15 dias sem autorização legislativa.

A defesa de Hidelbrando recorreu à Justiça. Inicialmente, a 2ª Vara Cível de Itaúna negou o pedido de liminar. Contudo, em abril de 2026, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) concedeu liminar que determinou a recondução do político ao cargo. A desembargadora Maria Cristina Cunha Carvalhais entendeu que a declaração de vacância ocorreu sem a abertura de processo administrativo que garantisse contraditório e ampla defesa, e que a ausência não poderia ser caracterizada como abandono voluntário, pois o vice-prefeito estava submetido a determinação judicial.

Com a liminar, foram restabelecidos os direitos relacionados ao mandato, e o pagamento dos vencimentos voltou a ser efetuado, mantendo o valor de R$ 11.258,21. Apesar do retorno formal ao cargo, Hidelbrando não realiza atividades presenciais na prefeitura desde a data de seu afastamento.

Paralelamente, o vice-prefeito foi indiciado na Operação Intrafortis, também da Polícia Federal, por supostos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro ligados a fraudes em direitos minerários.

Durante a Operação Rejeito, a PF solicitou prisão preventiva contra Hidelbrando. Na ocasião, o político encontrava-se nos Estados Unidos, tendo viajado ao exterior pouco antes da deflagração da operação. A prefeitura destacou que os fatos investigados não tinham relação com o exercício das funções municipais e que ele foi exonerado do cargo de secretário municipal de Meio Ambiente.

Hidelbrando retornou ao Brasil em fevereiro de 2026 e passou a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, conforme determinação judicial. Em manifestação divulgada à época, a defesa afirmou que o retorno ao país foi espontâneo, que a viagem ao exterior havia sido programada antes da operação e que não houve tentativa de fuga. Os advogados ainda sustentam que os fatos investigados não estão ligados à atuação política de Hidelbrando e que a inocência será demonstrada ao longo do processo.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

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