Time for Fun deixa a B3 após 15 anos
A Time for Fun (T4F) concluiu na noite de ontem a operação que vai retirá-la da B3. A transação marca etapa melancólica para a empresa que, fundada nos anos 1980, colocou o Brasil no mapa dos grandes shows e virou sinônimo de entretenimento na América Latina, mas acabou atropelada pela pandemia e pela entrada no país de gigantes globais como a Live Nation, dona de Rock in Rio e Lollapalooza.
A T4F, cujo faturamento despencou 70% desde 2010, vai sair da Bolsa por meio de uma operação conhecida como Oferta Pública de Aquisição (OPA). O controlador Fernando Alterio conseguiu convencer acionistas que detêm quase 29% da empresa a vender os papéis por R$ 6,02, em uma transação de R$ 11,7 milhões.
Com isso, o grupo que comanda a T4F — que, além de Alterio, inclui ainda a mexicana CIE — conseguiu superar o quórum de dois terços necessário para a OPA sair do papel. Ao final da transação, eles terão 79,1% da T4F, contra 50,2% hoje. Os acionistas que não toparam a OPA ainda terão um mês para se desfazer dos papéis.
Depois disso, se tornarão acionistas de uma empresa de capital fechado — ou seja, sem qualquer liquidez. As ações da T4F continuarão sendo negociadas na B3 até a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deferir o cancelamento do seu registro de companhia aberta.
Nos últimos meses, Alterio vem dando entrevistas nas quais admite que não tem conseguido competir com os concorrentes internacionais, que acabam fechando contratos para os grandes shows em escala global. A T4F também perdeu espaço nos festivais — em 2023, parou de produzir o Lollapalooza depois que o contrato de dez anos chegou ao fim e a Live Nation decidiu centralizar os festivais no Brasil nas mãos da Rock World, controlada por ela.
O empresário tem dito que, fora da Bolsa, a ideia é investir na promoção de musicais da Broadway e de turnês nacionais.
Com informacoes de O GLOBO.

