Terremotos globais: especialista explica que agrupamento de grandes sismos é fruto do acaso
A avaliação é de Susanne Maciel, professora de pós-graduação em Geociências da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora apoiada pelo Instituto Serrapilheira. Ela explica que a ocorrência de múltiplos tremores de grande escala em um curto intervalo de tempo é fruto da própria aleatoriedade estatística que rege a dinâmica do planeta.
Entre março e agosto deste ano, foram registrados cerca de nove terremotos com magnitude igual ou superior a 7 em diferentes pontos do globo. Esse volume chama atenção, mas não representa mudança real de comportamento — a atividade sísmica é, segundo Maciel, “um processo estocástico, naturalmente variável e sujeito a oscilações”.
A pesquisadora descarta qualquer evidência científica de um crescimento efetivo da atividade tectônica mundial. “Os grandes sismos deste ano se originaram em contextos tectônicos e mecanismos focais distintos entre si”, diz a especialista, o que afasta qualquer relação de causa física unificada entre os eventos.
Para ilustrar esse comportamento, ela cita um estudo de referência publicado em 2011 pelo pesquisador Andrew Michael, que analisou catálogos sísmicos desde 1900: “Esse trabalho mostra que agrupamentos de terremotos de magnitude igual ou superior a 7 não têm explicação física macroscópica — são um efeito estatisticamente esperado da aleatoriedade natural do sistema.”
O sismo colombiano ocorreu na zona de subducção em que a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana, a uma profundidade intermediária estimada em 110 quilômetros — o que atenuou as ondas de alta frequência, mesmo com o tremor sentido em área ampla. Estimativas iniciais indicam ruptura ao longo de uma falha de cerca de 100 km de extensão por 15 km de largura.
Sismos dessa intensidade são raros na região: desde 1950, apenas dois terremotos com magnitude superior a 7 haviam ocorrido em um raio de 250 km do epicentro atual. “A ciência ainda não é capaz de prever o momento exato em que um terremoto vai ocorrer”, pondera Maciel.
Na Colômbia, o que aumentou temporariamente foi a chance de réplicas — a acomodação natural do terreno após a liberação de energia do sismo principal. Os dados sobre a sequência sísmica seguem em análise pelos observatórios.
Com informacoes de VEJA.

