Temas da redação do Encceja 2026 geram críticas e dúvidas entre candidatos

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 25/08/2026 15:00
Temas da redação do Encceja 2026 geram críticas e dúvidas entre candidatos

Foto: via G1

Os temas da redação do Encceja 2026, aplicados neste domingo (23), provocaram surpresa e frustração entre os participantes, que precisam elaborar dissertações tanto para o ensino fundamental quanto para o médio.

Para os candidatos do ensino fundamental, a proposta foi “Importância do endereço como direito dos cidadãos”. Já os do ensino médio receberam “Caminhos para garantir os direitos do consumidor”.

Nas redes sociais, vários estudantes manifestaram dificuldade para desenvolver os textos. Uma jovem escreveu no X: “Toda vez que eu penso na redação do Encceja fico com vontade de chorar, meu deus”. Outros posts incluíram frases como “Que tema porcaria foi esse?”, “Se eu reprovar na redação, vou culpar aquele tema demoníaco e depois derrubar os sistemas do Inep” e “Não consegui escrever mais de 15 linhas”.

Professores, por sua vez, afirmam que as propostas seguem as normas do exame. No entanto, o termo “endereço” foi apontado como ambíguo, sobretudo na ausência dos textos de apoio que normalmente orientam a interpretação.

Na edição anterior do Encceja, os temas foram “A importância das creches para a sociedade brasileira” (ensino fundamental) e “Estratégias para enfrentar o vício em apostas na internet” (ensino médio).

De acordo com a Cartilha do Participante, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o tema da redação deve conter: relevância social e debate cidadão; ligação com a ética; foco em um problema concreto; estímulo ao enfrentamento e à ação; e, no caso do ensino médio, a proposta de intervenção que detalhe ações práticas respeitando os direitos humanos.

Especialistas argumentam que os temas de 2026 atendem a esses critérios, pois trazem à tona questões como a falta de acesso a moradia digna e o desrespeito aos direitos do consumidor, possibilitando a inclusão de repertório constitucional (Constituição Federal de 1988) e do Código de Defesa do Consumidor.

A professora Marina Rocha, do Curso Skued e do Curso Raio‑X, destacou a atualidade do tema de consumo: “Hoje, é muito fácil comprar e muito fácil vender. Por isso, me pareceu importante levantar o debate. Durante anos, esse assunto apareceu como possibilidade para o ENEM.”

Fernanda Becker, analista pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, sugeriu que o incômodo dos candidatos pode estar relacionado à abordagem mais legislativa do assunto, embora não haja violação das regras do exame.

Professores consultados pelo G1 ressaltam que a avaliação completa das propostas depende da divulgação dos textos de apoio, que podem incluir charges, poesias, trechos de reportagem ou mapas. O Inep tem até 10 dias para publicar esses materiais, e eles provavelmente definiram o rumo esperado para a redação do ensino fundamental, que recebeu menos críticas nas redes, mas pode ter sido mais desafiadora.

Fernanda Becker também apontou que a palavra “endereço” gera ambiguidade: pode referir‑se ao dado de localização (CEP, número e nome da rua) ou ao direito à moradia. A leitura dos textos de apoio seria essencial para esclarecer essa dúvida.

Candidatos que relataram ansiedade solicitaram adaptações previstas na legislação, mas o texto original não detalha o desfecho dessas demandas.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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