Super El Niño pode gerar cadeia de impactos, alerta cientista do MMA responsável pela preparação
O pesquisador licenciado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) assumiu, no ano passado, a coordenadoria‑geral do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e está na linha de frente da preparação do país para enfrentar o atual fenômeno climático.
Em entrevista ao portal, o cientista destaca que um El Niño muito forte não é apenas um problema meteorológico ou agrícola, mas pode gerar uma cadeia de impactos sociais, econômicos, ambientais e de saúde.
Normalmente, o El Niño provoca seca na Amazônia e no Nordeste e chuvas intensas no Sudeste e no Sul. O padrão clássico, porém, não funciona como um mapa fixo.
No Brasil, o sinal mais consistente do atual “Super El Niño” é de redução de precipitação em partes da Amazônia e do Nordeste e aumento de chuvas no Sul. No Sudeste e em parte do Centro‑Oeste, a relação é muito menos direta, variando bastante de um evento para outro e ao longo das estações do ano.
Além do próprio El Niño, outros elementos do sistema climático – como o Atlântico Tropical, a posição das frentes frias e a circulação sobre a América do Sul – podem reforçar, enfraquecer ou deslocar seus efeitos.
No centro do Brasil, no Norte e em parte do Nordeste, os principais riscos são ondas de calor, períodos prolongados de baixa umidade, secas, redução de vazões e aumento das condições favoráveis a incêndios florestais.
No Sul, o cenário pode ser quase oposto, com episódios repetidos de chuva intensa, cheias, enxurradas, deslizamentos e tempestades severas.
Os efeitos indiretos abrangem abastecimento de água, geração de energia, navegação, agricultura e saúde pública, sempre com a ressalva de que o El Niño “aumenta a probabilidade” de tais eventos, sem ser a causa direta de cada tempestade, incêndio ou onda de calor.
O impacto já começou a se sentir. Em julho, a NOAA – agência climática dos Estados Unidos – registrou um índice semanal de acréscimo de cerca de 1,2 °C, indicando que o fenômeno já estava estabelecido e que continuaria se fortalecendo ao longo de 2026.
A expectativa é de fortalecimento até a primavera e o começo do verão, com pico provavelmente entre outubro e dezembro de 2026 e persistência do fenômeno no início de 2027.
“Super El Niño” não é uma categoria oficial; a classificação técnica contempla eventos fracos, moderados, fortes ou muito fortes. O que mudou em julho foi o aumento significativo da possibilidade de um evento excepcional.
A previsão oficial da NOAA divulgada em julho indica 81 % de probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro, o que o colocaria entre os maiores eventos do registro histórico.
Quanto ao termo “super”, ele se refere à combinação de um El Niño de intensidade muito alta com um momento mais grave da mudança climática, duas questões que precisam ser separadas. A classificação de intensidade analisa apenas o comportamento do Pacífico tropical, sem incluir a mudança climática; porém, ao avaliar os impactos, a mudança climática torna‑se um fator relevante.
Com informacoes de O GLOBO.

