Super El Niño: Cientistas Monitoram Formação de Fenômeno Climático Intenso

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 16/08/2026 22:00
Super El Niño: Cientistas Monitoram Formação de Fenômeno Climático Intenso

Foto: via G1

Cientistas monitoram a formação de um 'Super El Niño', que pode se tornar um dos mais intensos já registrados. Para entender como o fenômeno se forma e tentar antecipar seus efeitos, pesquisadores combinam tecnologias de monitoramento com registros preservados pela natureza ao longo de milhares de anos.

Hoje, os cientistas conseguem acompanhar a evolução do El Niño com meses de antecedência e entender melhor os mecanismos que alimentam o fenômeno. Em condições normais, correntes frias sobem na costa do Peru e trazem nutrientes para a superfície. Ao mesmo tempo, os ventos alísios empurram a água mais quente para a região da Indonésia. Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem. A água quente se desloca para o leste e altera os padrões atmosféricos em diferentes partes do planeta.

O El Niño é conhecido desde o período das grandes navegações. O nome surgiu porque pescadores observavam o aquecimento das águas do Pacífico na costa do Peru próximo ao Natal, em referência ao Menino Jesus. Apesar do conhecimento acumulado, nem sempre foi possível prever a força do fenômeno. Em 1982 e 1983, o mundo foi surpreendido pelo que então era o maior El Niño já registrado.

No Nordeste brasileiro, a seca destruiu lavouras. Em uma reportagem exibida na época, um agricultor resumiu o impacto: “Perdi tudo, plantei e perdi.” No Brasil, uma das consequências mais graves ocorreu em Santa Catarina. Centenas de municípios ficaram debaixo d'água, houve dezenas de mortes e grandes prejuízos à infraestrutura.

A dimensão daquele episódio levou à criação de uma ampla rede de monitoramento do Oceano Pacífico. Liderados pelo pesquisador Michael McPhaden, cientistas espalharam centenas de boias pelo oceano. Os equipamentos continuam transmitindo, em tempo real, informações sobre os ventos e a temperatura da superfície do mar.

Cavernas guardam pistas de El Niños do passado. Em um trecho da Mata Atlântica, uma expedição percorre centenas de metros pelo interior de uma caverna. Ali, formações rochosas ajudam os pesquisadores a reconstruir a história do clima da região. As estalagmites crescem lentamente à medida que a água passa pela rocha e deixa depósitos de minerais.

As informações do passado ajudam a entender o comportamento do fenômeno, enquanto os instrumentos atuais permitem acompanhar o que está acontecendo agora. As projeções indicam que o El Niño pode se intensificar ainda mais, com 90% de probabilidade de o evento ser muito forte. O fenômeno ocorre em um planeta já aquecido pelas mudanças climáticas.

Segundo McPhaden, este ano pode ser o mais quente já registrado. E, se não for, 2027 certamente será. No Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Cachoeira Paulista (SP), ampliou a capacidade do supercomputador usado para previsões meteorológicas e pretende expandi-la ainda mais nos próximos anos.

Para os pesquisadores, o desafio aumentou porque os padrões climáticos do passado nem sempre servem mais como referência. Os modelos matemáticos precisam ser constantemente atualizados para acompanhar uma realidade em transformação. O pico do fenômeno é esperado para dezembro, mas seus efeitos devem continuar depois disso.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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