SpaceX Apresenta Primeiro Balanço após IPO com Recorde de Receita e Prejuízos em IA

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 04/08/2026 20:27
SpaceX Apresenta Primeiro Balanço após IPO com Recorde de Receita e Prejuízos em IA

Foto: via Money Times

A SpaceX apresentou seu primeiro balanço trimestral desde a abertura de capital, com receita e Ebitda acima das expectativas de Wall Street, mas prejuízos nas operações espaciais e de inteligência artificial pressionam os investidores.

Entre abril e junho, a companhia registrou receita de US$ 7,8 bilhões, alta de 92% na comparação com o primeiro trimestre e acima do consenso de US$ 6,9 bilhões compilado pela Bloomberg. O Ebitda somou US$ 3,5 bilhões, superando com folga a projeção de US$ 2 bilhões.

O prejuízo líquido foi de US$ 541 milhões, uma melhora em relação à perda de US$ 1 bilhão registrada anteriormente. Mesmo assim, as ações da companhia chegaram a cair 5% no after market em Nova York.

No pregão regular, os papéis haviam encerrado o dia com alta de 9,53%, a US$ 125,44, mas seguem abaixo dos US$ 135 do IPO realizado em junho e acumulam queda desde a estreia.

A principal fonte de receita — e também de lucro — da SpaceX continua sendo a Starlink. O serviço de internet via satélite, vendido para consumidores, empresas, governos e forças militares, foi novamente o principal motor financeiro da companhia.

A base de assinantes alcançou 12 milhões de usuários, dobrando em relação ao mesmo período do ano passado e crescendo 17% frente ao primeiro trimestre. Por outro lado, a expansão internacional continua pressionando a monetização do serviço.

A receita média por usuário (ARPU) permaneceu em US$ 66, abaixo dos US$ 85 registrados um ano antes.

“O crescimento da receita acelerou em todos os nossos segmentos de negócios e entregamos forte alavancagem operacional, com uma expansão significativa da margem liderada pelos nossos novos acordos de computação de IA”, afirmou o CFO Bret Johnsen, em comunicado.

A inteligência artificial segue sendo o principal foco de preocupação do mercado. A unidade de IA registrou prejuízo operacional de US$ 1,26 bilhão no trimestre, enquanto a divisão espacial perdeu outros US$ 542 milhões.

Grande parte dessas perdas está relacionada ao avanço dos investimentos em infraestrutura computacional. Os desembolsos com IA saltaram para US$ 15,8 bilhões entre abril e junho, praticamente o dobro dos US$ 7,7 bilhões registrados no trimestre anterior.

Ao todo, os investimentos (capex) da companhia atingiram US$ 18,37 bilhões no período, ligeiramente abaixo da expectativa de US$ 18,58 bilhões.

A SpaceX afirma que esses investimentos sustentam sua estratégia de longo prazo após a fusão com a xAI, concluída em fevereiro.

O objetivo é desenvolver infraestrutura de inteligência artificial que, futuramente, inclua centros de dados em órbita.

O mercado, porém, segue questionando se o elevado volume de investimentos em IA será capaz de gerar retorno suficiente para justificar o consumo de caixa — preocupação que também tem atingido gigantes como Alphabet, Meta e Oracle.

A abertura de capital fortaleceu significativamente a posição financeira da companhia. O caixa e equivalentes encerraram o trimestre em US$ 93,5 bilhões, ante US$ 24,7 bilhões três meses antes.

Ao mesmo tempo, as obrigações relacionadas a financiamentos e arrendamentos aumentaram para US$ 36,8 bilhões, frente aos US$ 22 bilhões registrados no fim do primeiro trimestre.

A Starship segue como aposta de longo prazo Embora ainda não tenha entrado em operação comercial, a Starship permanece no centro da estratégia da empresa.

O foguete reutilizável deverá ampliar a capacidade de lançamento de satélites Starlink e servir de base para a futura infraestrutura de computação orbital da companhia.

Investidores acompanham de perto a evolução dos testes, a reutilização dos veículos e o cronograma para início das operações comerciais, considerados fatores importantes para reduzir custos de lançamento e acelerar o crescimento da empresa.

Junto com os resultados, a SpaceX anunciou uma parceria com a Nvidia para desenvolver a carga útil Starmind AI-1. O projeto utilizará as GPUs Rubin e as CPUs Vera da fabricante de chips para levar “computação de classe de data center” ao espaço.

Segundo a companhia, a iniciativa elevará a capacidade máxima de processamento de cada satélite para até 250 kW e faz parte da estratégia de integrar infraestrutura orbital ao desenvolvimento de inteligência artificial.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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