Soja e milho podem superar US$ 12 e US$ 5 em Chicago com efeitos do El Niño, diz BTG

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 08/08/2026 09:25
Soja e milho podem superar US$ 12 e US$ 5 em Chicago com efeitos do El Niño, diz BTG

Foto: via Money Times

Depois de meses com o clima dos Estados Unidos no centro das atenções do mercado de grãos, investidores começam a mudar o foco para a América do Sul. Com a perspectiva de uma oferta confortável no país e preços pressionados, o principal risco para soja e milho passa a estar no desenvolvimento da safra brasileira e argentina, especialmente diante da possibilidade de intensificação do El Niño.

Para Vitor Novaes, analista de commodities do BTG Pactual, o mercado está justamente atravessando essa transição. Segundo ele, as boas projeções para a safra norte-americana continuam limitando uma reação das cotações, mas a atenção deve se voltar para o plantio brasileiro a partir do fim de agosto e início de setembro. “É exatamente esse momento que a gente está agora, numa transição de parar de olhar para o mercado climático estadunidense e começar a olhar aqui para o Brasil”, afirmou Novaes.

Na avaliação de Novaes, o principal fator de risco para o mercado nos próximos meses é uma eventual intensificação do El Niño. O fenômeno climático pode provocar alterações no regime de chuvas brasileiro durante o início do plantio da soja. Um dos principais problemas, segundo o analista, não seria necessariamente uma perda direta de produtividade da oleaginosa, mas um atraso no calendário agrícola.

Além do Brasil, o mercado também deve acompanhar a evolução das condições climáticas na Argentina e na Europa. Na França, por exemplo, a deterioração do clima já representa um risco para a produção de milho. Risco ainda não está totalmente nos preços. Apesar dos potenciais fatores de alta, os contratos futuros ainda refletem principalmente a perspectiva de uma oferta global confortável e estoques elevados.

Na prática, o mercado ainda não incorporou completamente uma eventual deterioração das safras sul-americanas provocada pelo El Niño, tampouco uma intensificação dos problemas climáticos na Europa ou uma aceleração das compras chinesas. “Hoje, quando a gente olha as cotações dos contratos futuros, ele está mais refletindo essa ampla oferta global de grãos, estoques também elevados, ao invés de precificar essa possível deterioração das safras sul-americanas”, explicou Novaes.

Segundo ele, caso algum desses fatores se agrave de forma significativa, há espaço para uma reação relevante das commodities. A soja poderia superar os US$ 12 por bushel, enquanto o milho teria potencial para avançar para US$ 5 por bushel. “Tudo depende de como foi o clima sul-americano nesse segundo semestre, principalmente aqui olhando para o Brasil e, em 2027, olhando milho safrinha”.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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