Sandoz e Biolab entram no mercado brasileiro de semaglutida com o novo pen sintético Owozy
A indústria farmacêutica brasileira registra um crescimento acelerado no segmento de medicamentos GLP‑1, que movimentou R$5,6 bilhão em 2025. Nesse cenário, as empresas suíças Sandoz e a brasileira Biolab & Co anunciaram a entrada com Owozy, um novo pen de semaglutida sintética.
Owozy recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para tratamento de diabetes tipo 2, com possibilidade de ampliação para outras indicações. Seu diferencial técnico reside na capacidade de permanecer estável por até 42 dias em temperaturas de até 30 °C após aberto, ao contrário de concorrentes que exigem refrigeração contínua ou têm vida útil mais curta.
Nos últimos 20 dias, a ANVISA autorizou sete novos registros de medicamentos contendo semaglutida sintética ou versões genéricas: Owozy (Sandoz), Semavy (Hypera), Seemasun (Sun Farmacêutica), Zempneo (Brainfarma), Orsema (Ranbaxy Farmacêutica), Semaclique (Germed) e um genérico da EMS sem marca, conforme determina a legislação.
Isabella Wanderley, diretora‑executiva da Sandoz Brasil, afirmou que a ampliação do portfólio de GLP‑1 é essencial para a maturação do mercado e para coibir o uso de produtos provenientes do comércio paralelo. Fabio Amorosino, CEO da Biolab, destacou que a disponibilidade de medicamentos mais acessíveis tende a expandir a demanda, sobretudo entre os 16 milhões de brasileiros com diabetes tipo 2, dos quais metade ainda desconhece a condição.
A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabelece preços máximos entre R$700 e R$1.400, dependendo da categoria e dos tributos aplicáveis. Amorosino garantiu que a Biolab adotará política de preços agressiva, aliada a parcerias sólidas com farmácias e profissionais de saúde.
Para efeito de comparação, a EMS comercializa seu próprio medicamento à base de semaglutida entre R$333 e R$452, preço reduzido por programas de desconto, enquanto o Ozempic varia de R$774 a R$1 380, conforme impostos e descontos concedidos.
A entrada de novos concorrentes tem provocado reações de grandes players: Novo Nordisk e Eurofarma firmaram parceria para versões locais de Ozempic (Extensior) e Wegovy (Poviztra), oferecendo preços especiais a pacientes inscritos em programas de apoio. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, também anunciou descontos em compras combinadas, surpreendendo analistas que esperavam estabilidade de preços devido à proteção de patente até 2036.
Owozy deve chegar às farmácias brasileiras no quarto trimestre, sendo produzido no Canadá em colaboração com a empresa europeia Adalvo. A escolha da Biolab como parceira se deve à sua ampla presença no varejo, atendendo cerca de 95 % das farmácias do país.
O Brasil representa o primeiro mercado em que a Sandoz lança um análogo GLP‑1, servindo como campo de testes para expansão futura na América Latina e no Canadá, especialmente considerando que as patentes de semaglutida nos EUA e na Europa expiram a partir de 2030. Essa iniciativa marca a terceira linha de negócios da Sandoz, que historicamente focava em genéricos e biossimilares.
A Biolab pretende aproveitar sua rede de prescritores para oferecer combos de medicamentos frequentemente associados a tratamentos com canetas injetáveis de perda de peso e diabetes. Entre os produtos citados por Amorosino estão Sarcoplex (sarcopenia), Pantogar (queda de cabelo, que afeta cerca de 60 % dos usuários) e Vonau (distúrbios estomacais), reforçando sua liderança em medicamentos cardiometabólicos.
Um potencial mercado adicional é o Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde avalia a inclusão da semaglutida na lista de tratamentos cobertos, e a Sandoz está entre as empresas em negociação com o governo, analisando a relação custo‑efetividade.
Paralelamente, o Ministério da Saúde lançou um projeto piloto para monitorar o uso de fármacos GLP‑1 em pacientes atendidos pelo Conceição Hospital Group (GHC) em Porto Alegre. O estudo acompanhará aproximadamente 250 indivíduos com obesidade grave ou obesidade associada a comorbidades, candidatos a cirurgia bariátrica, para gerar os primeiros resultados sobre eficácia e segurança.
Em outro movimento que reflete a dinâmica do setor, a empresa indiana Lupin colocou à venda sua operação no Brasil, sinalizando possíveis reconfigurações de participação internacional no mercado local de medicamentos.
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Com informacoes de Valor International.

