Republicanos associam Partido Democrata ao comunismo em campanha de “Medo Vermelho”
Em meio a pesquisas que apontam desvantagem nas eleições, líderes republicanos têm usado a estratégia de rotular o Partido Democrata como comunista, numa tentativa de mobilizar o eleitorado com o discurso de “Medo Vermelho”.
Durante a convenção do partido, foram feitas mais de 60 menções ao comunismo ou a comunistas, incluindo a frase “Este será um país comunista se eles vencerem”, atribuída ao presidente Donald Trump em declarações divulgadas pelo The New York Times.
Embora as primárias democratas tenham registrado vitórias de alas mais à esquerda e colocado candidatos socialistas democratas nas cédulas de Colorado, Michigan, Nova Iorque, Pensilvânia e Flórida, nenhum nome com pretensão real de vitória se identifica como comunista, e a ideologia comunista não possui força suficiente a nível federal.
O Comitê Nacional Republicano, por meio de sua conta oficial nas redes sociais, publicou no mês passado a frase “Stalin, Mao, Castro. Democratas”, acrescentando que são “líderes diferentes, com o mesmo objetivo”. A mensagem busca explorar a percepção de ameaça que a esquerda representa para parte do eleitorado.
Trump tem reiterado que o comunismo seria o maior perigo para os Estados Unidos, alegando que a ameaça supera a Primeira Guerra Mundial, o ataque a Pearl Harbor em 1941 e os atentados de 11 de setembro de 2001. Em um comício em julho, o presidente afirmou que comunistas planejariam explodir o Monte Rushmore, onde estão esculpidos os rostos de quatro presidentes americanos, sem apresentar provas ou detalhes.
Historicamente, desde os anos 1950 e 1960, durante o auge do “Medo Vermelho”, partidos políticos norte‑americanos dedicavam menos tempo ao discurso anticomunista. A retórica atual, porém, busca reviver esse clima de suspeita.
Em 2020, o senador Bernie Sanders, líder dos progressistas e autointitulado socialista democrático, celebrou alguns elementos da Revolução Cubana de 1959, o que tem sido usado pelos republicanos como exemplo de “extremismo”.
Darializa Avila Chevalier, vencedora de uma primária democrata em Nova Iorque em junho, havia mantido, em passado recente, uma conta nas redes sociais sugerindo que bibliotecas públicas deveriam conter mais livros sobre marxismo.
Após a vitória de Avila Chevalier, um grupo de democratas de centro enviou uma carta declarando que são “capitalistas, não socialistas”, na tentativa de distanciar o partido das ideias comunistas.
Pesquisas mostram que os americanos têm visões desfavoráveis tanto ao socialismo quanto ao comunismo, sendo este último ainda menos aceito.
Dentro do próprio Partido Republicano, surgiram piadas internas referindo‑se à região onde um socialista venceu as primárias como “Corredor Comuna”.
Jon Fleischman, ex‑diretor executivo do Partido Republicano na Califórnia, afirmou que “as opções ficam limitadas quando os índices de aprovação do presidente em vários temas, especialmente a economia, estão debaixo d’água”, mas considerou que descrever os democratas como comunistas foi “inteligente” e pode “assustar as pessoas”.
A ex‑secretária de Estado Hillary Clinton, em entrevista a um podcast, comentou que a mensagem baseada no “medo vermelho” pode ser “muito” eficaz para mobilizar eleitores.
Analistas ainda não sabem se a estratégia republicana terá impacto nas urnas, já que alguns democratas temem que a ascensão da ala socialista possa ser usada pelos adversários para rotulá‑los como extremistas, enquanto o discurso agressivo de Trump pode, ao mesmo tempo, enfraquecer a mensagem.
Com informacoes de O GLOBO.

